Sem-teto fecham ruas do centro em protesto

Ato contra política federal de habitação reuniu 3 mil pela manhã. Na madrugada, grupo ocupou cinco prédios

O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2012 | 03h07

Mais de 3 mil pessoas fecharam ruas do centro de São Paulo na manhã de ontem para protestar contra a política de habitação do governo federal. Os manifestantes, pertencentes a movimentos sem-teto da capital paulista, saíram de prédios ocupados na região central e seguiram rumo ao prédio do Ministério da Fazenda, na Avenida Prestes Maia. No caminho, causaram lentidão no trânsito.

Durante a madrugada, o mesmo grupo ocupou um prédio pertencente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na Avenida 9 de Julho, e mais quatro edifícios.

O coordenador da Frente de Luta por Moradia (FLM), Osmar Borges, afirma que a reivindicação do grupo é o uso de prédios públicos federais para a construção de moradia social. "Há prédios da Rede Ferroviária, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do INSS que estão abandonados e poderiam ser usados para moradia de pessoas que ganham de zero a seis salários mínimos."

Segundo Borges, outro questionamento é que as linhas de financiamento para construtoras são maiores do que as voltadas para movimentos sociais. "A linha de crédito para o Minha Casa Minha Vida aumentou para R$ 76 mil para as construtoras, enquanto é de R$ 65 mil para os movimentos sociais", afirma.

O coordenador da FLM diz que uma audiência foi agendada para as 10h de hoje no Ministério da Fazenda. Representantes do governo federal vêm de Brasília para discutir o assunto. Só a FLM tem seis prédios ocupados na região central de São Paulo.

Mais protesto. Hoje, os movimentos de luta por moradia devem parar o trânsito novamente. Guilherme Boulos, da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), afirma que rodovias da Grande São Paulo, com acesso para a capital, serão bloqueadas em um protesto.

Boulos diz que o movimento pede o cumprimento de acordos pendentes com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), do governo estadual, e mais agilidade no Minha Casa Minha Vida, do governo federal. / ARTUR RODRIGUES

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