Sem-teto fazem marcha pelas ruas do centro de São Paulo

Em acordo com a PM, integrantes do MTST não ocuparam as faixas exclusivas de ônibus; eles caminharam do Masp à Líbero Badaró

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

23 Julho 2014 | 16h45

Atualizada às 19h47

SÃO PAULO - No 31.º protesto em São Paulo neste ano – média de um por semana –, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) paralisou nesta quarta-feira, 23, as principais vias da região central para pedir, ao governo municipal, a desapropriação do terreno particular onde está a mais recente ocupação da entidade, o Portal do Povo, no Morumbi. 

Cerca de 5 mil pessoas, segundo o movimento, percorreram à tarde três quilômetros entre a Avenida Paulista e a Rua Líbero Badaró. Só no centro o índice de lentidão chegou a 13 quilômetros às 15 horas – motoristas chegaram a ficar parados, com carros desligados, por meia hora na Rua da Consolação.

A reintegração de posse foi solicitada à Justiça pela Construtora Even, dona do terreno onde está a ocupação do Morumbi. Como ocorreu há dois meses com a Ocupação Copa do Povo, em Itaquera, na zona leste, o MTST quer que o governo desaproprie a área e viabilize no local moradias populares para os invasores, por meio do Programa Minha Casa Minha Vida. 

Nesta quarta, a mobilização do MTST lembrou os protestos realizados pela entidade em junho, quando um acampamento chegou a ser feito na frente do prédio da Câmara Municipal por uma semana. Com vuvuzelas, buzinaço e carro de som, os manifestantes se postaram na frente do prédio da Secretaria Municipal de Habitação. Uma comissão com 13 líderes da organização se reuniu com técnicos da Cohab por volta das 17 horas.

“Não é só pela ocupação Copa do Povo. Existem outros compromissos assumidos pela administração com a gente, em relação a outros acampamentos, que até agora não foram cumpridos”, afirmou Guilherme Boulos, de 32 anos, coordenador do MTST. Ele cita que falta atendimento habitacional para as famílias que estão em ocupações no Campo Limpo, na zona sul, e em Cidade Tiradentes, no extremo leste.

Pela manhã, o prefeito Fernando Haddad (PT) havia alertado que o Ministério Público Estadual pediu à Prefeitura respeito à fila de cadastrados que estão à espera de uma casa própria nos programas da Cohab. Mas Boulos rebateu as críticas. “Acho que o MP precisa ter bom senso para ver que a fila em São Paulo de moradia aumentou. Nem a fila está sendo atendida”, disse o coordenador dos sem-teto, que hoje comanda na capital 16 ocupações onde estão 25 mil pessoas.

Para o promotor Maurício Ribeiro Lopes, porém, a Prefeitura não pode passar na frente da fila da habitação as entidades que ocuparam terrenos particulares recentemente na cidade, sob o risco de ser processada por um direcionamento de moradia popular sem respeito aos critérios da espera.

Caos. Durante o protesto dsta quarta, quem estava na Avenida São Luís e ao longo do Viaduto Maria Paula ficou parado no trânsito. “Não é possível, toda hora o centro ficar parado por causa de um pequeno grupo. Isso não é certo. Cadê o meu direito de ir e vir também?”, dizia o empresário Thiago Fernandes, de 31 anos, dentro do carro parado na Rua Xavier de Toledo. 

Com a Libero Badaró fechada, motoristas não tinham como retirar seus carros dos estacionamentos localizados ao longo da via. “Moro em Vinhedo, preciso voltar, hoje é aniversário da minha filha. E agora, como vou pegar meu carro?”, indagou o comerciante Ronaldo Costa, de 41 anos, a um PM que ajudava a bloquear a rua.

Por volta das 19 horas, os manifestantes se dispersaram, segundo informações da Polícia Militar.  

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