Sem-teto fazem ato contra reintegração de posse em São Paulo

Grupo se concentrou na frente do prédio da Secretaria de Estado da Segurança Pública; uma comissão do movimento foi recebida

Mônica Reolom , O Estado de S. Paulo

29 Julho 2014 | 15h37

Atualizada às 21h15

SÃO PAULO - Cerca de 2 mil sem-teto, de acordo com a Guarda Civil Metropolitana, fizeram um ato na tarde desta terça-feira, 29, em frente ao prédio da Secretaria de Estado da Segurança Pública, no centro, contra a reintegração de posse que ocorreu na segunda-feira em terreno no Morumbi. O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) estima que 3 mil pessoas participaram do protesto, que se encerrou pouco antes das 18 horas na Praça da Sé. 

 

O objetivo dos manifestantes é reclamar do despejo.  "Nosso ato de hoje é de repúdio pela ação truculenta da PM ao nos despejar e descumprir o acordo", disse uma das líderes do MTST, Natália Szermeta. Policiais protegeram a entrada do prédio da SSP. Com bandeiras vermelhas por todo lado e muito buzinaço, os manifestantes gritavam: "Alckmin fascista, você é terrorista".

Por volta das 17 horas, a SSP recebeu uma comissão do movimento. Os sem-teto cobraram o descumprimento da data de reintegração de posse e entregaram um documento de repúdio. "Queremos deixar claro que o que o movimento está pedindo não é privilégio nem ilegalidade, é justiça e cumprimento da palavra", disse o líder do MTST, Guilherme Boulos. Ele mostrou um documento assinado pela PM que determinava que a data de reintegração de posse seria cumprida 15 dias após o dia 17 de julho, ou seja, no dia 2 de agosto.

Às 17h30, a comissão voltou e anunciou que a SSP se comprometeu a investigar a denúncia de que o prazo para a reintegração de posse seria apenas no dia 2. Boulos também disse que o movimento vai se encontrar com o comando da PM até terça-feita que vem para falar sobre o caso. O ato foi encerrado na Praça da Sé, onde os manifestantes assinaram uma lista de presença.

A Secretaria de Segurança Pública, em nota, reiterou que a atuação da Polícia Militar na reintegração "se deu dentro da legalidade para cumprir decisão judicial" e que "não houve descumprimento de nenhum acordo". A pasta ainda informou que "faltam com a verdade os integrantes do MTST que afirmam que será feita uma investigação interna" sobre a atuação da PM durante a reintegração. O movimento se encontrará com a PM "em data a ser marcada", segundo a SSP.

Portal do Povo. Na manhã de segunda-feira, 28, a polícia cumpriu ordem judicial de reintegração de posse em um terreno no Morumbi, zona sul de São Paulo, que estava ocupado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) desde o dia 21 de junho. A ação aconteceu no terreno de 60 mil metros quadrados da construtora Even, conhecido como Portal do Povo. Segundo o líder do MTST, Guilherme Boulos, a desocupação aconteceu três dias antes do prazo acordado entre a PM, o MTST e a juíza Monica Lima Pereira, do Foro do Butantã.

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