Sem-teto deixam prédio invadido no Bom Retiro

O imóvel, que possui um galpão e um mezanino, fica na Rua Alfredo Maia, próximo à Estação Armênia do Metrô

Andressa Zanandrea, Jornal da Tarde

28 de maio de 2008 | 10h59

Cerca de 100 pessoas tiveram de desocupar um imóvel no Bom Retiro, região central de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 28. Elas fazem parte do Movimento de Moradia da Região Centro (MMRC) e estavam no imóvel comercial havia três meses. Bombeiros tiveram de arrombar as portas para desocupar o local, mas não houve confronto entre sem-teto e policiais. O imóvel, que possui um galpão no térreo e um mezanino, fica na Rua Alfredo Maia, próximo à Estação Armênia do Metrô e chegou a ser ocupado por 250 pessoas de 75 famílias, segundo os organizadores do movimento. Muitas resolveram ir embora antes da chegada de nove viaturas e duas motos da Polícia Militar, às 6h20. Os organizadores do movimento pediram que se esperasse até às 9 horas para a desocupação, pois eles haviam entrado com um pedido de reconsideração do caso no Fórum João Mendes e aguardavam resposta. Os policiais, no entanto, entraram no imóvel às 6h40. Antes das 7 horas, as famílias saíram, mas ficaram em frente ao portão, gritando palavras de ordem e fazendo algumas exigências, como caixas para carregar os pertences, que seriam transportados em dois caminhões providenciados pelos donos do imóvel. De acordo com Nelson da Cruz Souza, um dos organizadores do movimento, na terça-feira, por volta do meio-dia, policiais militares foram até o prédio e disseram que ocorreria a desocupação do prédio. Ele afirma, no entanto, que a medida foi tomada com base em uma ação de despejo expedida pela Justiça em 1983, contra antigos moradores, e que não há ação de reintegração de posse contra as famílias do MMRC. De acordo com Souza, o prédio possui vários donos e no local já funcionaram uma fábrica e uma empresa de segurança. Agora o imóvel está à venda e pode se tornar um estacionamento. Ainda segundo Souza, depois de ser abandonado, o imóvel passou a ser freqüentado por traficantes e usuários de drogas, que foram embora com a chegada dos sem-teto. Muitas famílias de sem-teto que estavam no imóvel afirmam que há dois meses não recebem o bolsa-aluguel da Prefeitura, apesar de haver uma ação do Ministério Público contra a administração municipal, que prevê o pagamento do benefício.

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