ROBSON FERNANDJES/ESTADÃO
ROBSON FERNANDJES/ESTADÃO

Sem-teto deixam Cine Marrocos em reintegração de posse

Segundo a Polícia Militar, não houve conflitos; saída dos ocupantes do imóvel havia sido determinada pela Justiça

O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2016 | 11h30

SÃO PAULO - O grupo de sem-teto que ocupava o antigo Cine Marrocos, na região central, deixou o prédio na manhã deste sábado, 15, durante reintegração de posse, feita pela Polícia Militar. Segundo a corporação, a saída do edifício começou por volta das seis horas e não houve registro de conflitos. Agentes da Prefeitura também acompanharam o processo. 

De acordo com a gestão Fernando Haddad (PT), ainda havia 127 famílias no local, que já estão cadastradas em programas municipais de moradia. Dessas, 35 terão direito a auxílio aluguel. Há dois meses, o imóvel abrigava cerca de 250 famílias. As pessoas que deixaram o edifício neste sábado, dizem os próprios ocupantes, foram para outros locais invadidos da região central. 

O prédio também era conhecido por abrigar grande número de estrangeiros, que representavam cerca de 45% dos ocupantes do imóvel. Segundo a Prefeitura, eles terão vaga garantida no Centro de Referência e Acolhida do Imigrante. Levantamento da Missão Paz, organização da Igreja Católica que mantém a Pastoral dos Migrantes, indicou que o prédio chegou a reunir 253 imigrantes e refugiados de 25 nacionalidades que vieram para São Paulo nos últimos três anos. 

Histórico. A reintegração, a pedido da Prefeitura, foi determinada no fim de agosto pela 7.ª Vara da Fazenda Pública da capital. A primeira ordem para desocupar o prédio, que deveria ter sido cumprida ainda em agosto, foi suspensa a pedido da própria administração municipal porque os ocupantes do edifício ainda não tinham assistência social.

Em setembro, a reintegração não foi concluída porque os moradores tiveram dificuldades de sacar dinheiro de auxílio-aluguel, por causa da greve dos bancários. O prédio, de doze andares, havia sido invadido em 2013. A ideia é fazer uma reforma no local para abrigar a sede da Secretaria Municipal de Educação. Isso renderá, segundo a prefeitura, a economia do aluguel de cinco prédios. 

O principal grupo de moradia que ocupava o prédio era o Movimento Sem-Teto de São Paulo (MSTS). Em agosto, uma megaoperação da Polícia Civil desmontou um esquema de tráfico de drogas feito pelo movimento em parceria com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.