Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Sem-teto bloqueiam vias da capital e da Grande São Paulo

Atos são parte dos protestos no Dia Nacional de Lutas e reivindicam o lançamento imediato da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida

O Estado de S. Paulo

18 Março 2015 | 09h54

Atualizado às 12h45

SÃO PAULO - Os protestos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) para acelerar a terceira etapa do programa federal Minha Casa Minha Vida bloquearam nove pontos da capital paulista e da Grande São Paulo na manhã desta quarta-feira, 18. Na Radial Leste, os manifestantes chegaram a incendiar bonecos de três ministros: Joaquim Levy (Fazenda), Gilberto Kassab (Cidades) e Kátia Abreu (Agricultura). Em Taboão da Serra, outro boneco de Levy foi incendiado. Outros atos devem acontecer à tarde na capital e no interior, e o movimento promete fazer novas manifestações nas próximas semanas, caso o governo federal não sinalize mudanças. 

O primeiro bloqueio foi na Rodovia Raposo Tavares, na região de Osasco, na Grande São Paulo, por volta das 8 horas, e envolveu cerca de mil pessoas, segundo o MTST. Os manifestantes armaram barricadas com pneus queimados de um lado a outro da rodovia, na altura do km 21,5. Com o tráfego completamente interrompido, houve congestionamento nos dois sentidos. A via foi liberada cerca de uma hora depois, após negociação com a PM.

Em Taboão da Serra, também na Grande São Paulo, o ato mobilizou cerca de 500 pessoas, de acordo com estimativas do movimento. O ato interrompeu a Rodovia Régis Bittencourt das 9h30 às 10h20, período em que a estrada ficou totalmente bloqueada para os veículos no sentido Curitiba - o que causou trânsito intenso na Avenida Professor Francisco Morato. Pacífico, o ato não registrou nenhum incidente.

Durante o protesto, o grupo incendiou um boneco representando o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Para Natália Zermeta, coordenadora do MTST, o ministro é um dos principais nomes ligados à atual política de ajustes que, segundo argumenta, tem afetado as classes mais baixas, por meio do aumento do preço da gasolina e dos aluguéis, por exemplo.

"A terceira fase do Minha Casa Minha Vida, com 3 milhões de moradias, ainda não foi lançada, apesar do acordo com o governo durante os atos na Copa do Mundo, no ano passado. Em vez disso, estamos vendo são lançamentos de políticas de ajustes antipopulares e que não condizem com o que a presidente prometeu durante a campanha eleitoral", afirmou.

Capital. Na Marginal do Tietê, os manifestantes também armaram barricadas com pneus e partes de carros alegóricos em chamas. O bloqueio foi feito no acesso da pista expressa à pista local, próximo à ponte Orestes Quércia, conhecida como Estaiadinha, no sentido Rodovia Ayrton Senna. A pista foi liberada pouco mais de uma hora depois. O grupo, de cerca de 400 pessoas segundo a Polícia Militar, era formado por ex-moradores da Favela do Gato, no Bom Retiro, sob a Estaiadinha, e da Ocupação Copa do Povo, em Itaquera, na zona leste da capital. 

Quando os manifestantes chegaram, por volta das 9h30, a Tropa de Choque já estava de prontidão. O ato, no entanto, foi considerado pacífico, segundo informou o major Genival Antônio, do 13º Batalhão de Polícia Militar. Cerca de 40 policiais motorizados acompanharam a dispersão, que aconteceu dentro do horário previsto. Por causa das barricadas, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) precisou realizar limpeza da pista local para poder liberá-la. 

Um dos últimos a se formarem, o bloqueio da Radial Leste, na zona leste, começou por volta das 9h50 e foi encerrado às 10h50. A via teve os dois sentidos interditados e o ato contou com a participação de cerca de 900 pessoas, segundo o MTST. No protesto, os ativistas também incendiaram um boneco de Joaquim Levy. Representações de Gilberto Kassab (Cidades) e Kátia Abreu (Agricultura) também foram queimadas.

"Precisamos acelerar a construção das habitações e esses são os órgãos envolvidos", afirmou Maria das Dores, coordenadora do MTST, que acompanhou o ato. Na região, os sem-teto também ocuparam a Avenida Aricanduva com a Ragueb Chohfi e a Avenida Doutor Assis Ribeiro. Os atos duraram cerca de uma hora. 

Já na zona sul de São Paulo, houve concentração no Terminal Guarapiranga, de onde os manifestantes seguiram rumo à Marginal do Pinheiros. A via chegou a ficar completamente ocupada no sentido Rodovia Castelo Branco, próximo à Ponte do Socorro, mas o grupo começou a liberar a pista às 9h30. Ainda na zona sul, o MTST organizou bloqueios no Terminal João Dias, com marchas rumo às Avenidas Giovanni Gronchi e à Estrada de Itapecerica, além da Avenida Senador Teotônio Vilela. 

Reivindicações. Os atos também aconteceram em outros seis Estados Brasileiros: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Paraíba, Bahia e Paraná. A data é considerada o Dia Nacional de Lutas. Entre as reivindicações na pauta estão a exigência do lançamento imediato da terceira parte do Programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, ampliação das unidades destinadas a famílias de baixa renda e à modalidade Minha Casa Minha Vida Entidades, além da construção de habitações de maior qualidade e melhor localizadas. 

O movimento também pede que "as comunidades e os movimentos sociais devem ser tratados como caso de política e não de polícia pelos governos e pelo judiciário" e que sejam suspensos todos os despejos e a urbanização de todas as áreas ocupadas, além de tarifa zero nos transportes públicos e o efetivo combate da violência policial.

"A terceira etapa do Minha Casa Minha Vida foi prometida desde o ano passado, mas com esse atual cenário de ajuste o País não tem nenhum projeto habitacional em andamento", disse Josué Rocha, outro líder do MTST. Na última segunda-feira, 15, o governo federal reafirmou que vai contratar 3 milhões de unidades para o programa. "Foi um anúncio informal, não há previsão para começar a operar", contestou o coordenador do movimento./CAIO DO VALLE, DIEGO MOURA, FELIPE RESK, JULIANA DIÓGENES, MARCELO GODOY E RAQUEL BRANDÃO

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