Sem segurança, mostra é cancelada no Masp

Assédio de usuários de drogas e moradores de rua acaba com exibição de fotógrafo francês no vão livre; curador-chefe sugere cercar o local

ANTONIO GONÇALVES FILHO , LAURA MAIA, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2013 | 02h10

Impedida de prosseguir as atividades da exposição do fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), por causa do assédio de moradores de rua e dependentes de drogas, a empresa Bonfilm decidiu cancelar as visitas agendadas pelas escolas públicas e desmontar, anteontem, o centro de visitantes no local.

A mostra, originalmente montada nos Jardim de Luxemburgo, maior parque público de Paris, já passou por 110 países e três cidades brasileiras - Rio, Brasília e Belo Horizonte -, atraindo, em cada uma das capitais, mais de 1 milhão de visitantes, segundo o diretor da Bonfilm, Christian Boudier.

"Conforme os relatórios que recebemos dos monitores, eles sofreram assédio dos moradores de rua no vão livre do Masp, que os acusam de serem responsáveis pelas informações divulgadas na imprensa sobre a situação no local", disse Boudier, lamentando que uma exposição como a de Arthus-Bertrand - apresentada em locais problemáticos como a Cinelândia no Rio - tenha de ser suspensa por falta de segurança.

O diretor da Bonfilm revelou também que a extensão da mostra na frente do vão livre, no Parque Trianon, foi afetada pela destruição das fontes de iluminação das fotos de Arthus-Bertrand, um dos maiores nomes da fotografia ecológica, cineasta e autor de 60 livros, entre eles A Terra Vista do Céu, com as 130 fotos da exposição no vão livre do Masp, tiradas de helicópteros e balões.

Patrulhas. Anteontem, a assessoria da Secretaria de Segurança Urbana da Prefeitura, respondendo a pedido de entrevista do Estado, informou por meio de mensagem eletrônica que a Inspetoria Regional da Avenida Paulista dispôs uma viatura para o local, garantindo que a Guarda Civil Metropolitana, "por entender que o Masp é um dos mais importantes pontos de visitação da cidade de São Paulo, ainda que não seja um equipamento municipal, também vai intensificar as rondas".

A Polícia Militar, também por intermeio de assessoria de Imprensa, disse que foi "alertada pelo gerente de segurança do Masp do problema de usuários de drogas no vão livre" e intensificou as rondas no local, prendendo três pessoas por porte e uso de drogas.

O curador-chefe do Masp, professor Teixeira Coelho, também lamenta que uma exposição como a de Arthus-Bertrand tenha sido cancelada por falta de segurança. "Estão molestando não só os monitores da exposição como funcionários do museu sem que possamos fazer nada, pois foram inúteis todas as nossas tentativas de mostrar ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Nacional) que o Masp precisa ser cercado."

Segundo Coelho, o Iphan defende que projeto arquitetônico original do museu prevê o acesso irrestrito ao vão livre. "A proposta de cercar a área não eliminaria o problema, mas amenizaria a situação", defende o curador. "Acho um atraso essa posição do Iphan, pois a São Paulo de hoje não é a mesma da época em que o Masp foi inaugurado."

Com dependentes de drogas e moradores de rua no entorno, o Masp, tradicionalmente usado para manifestações públicas, passou ainda a abrigar sem-teto, afastando frequentadores habituais e turistas do museu, que tem o maior e mais importante acervo artístico da América Latina.

Embora sensível ao problema social na região, Coelho argumenta que outros cidadãos têm de ter garantido "seu direito de acesso à cultura". "Também o Louvre enfrentou problemas com batedores de carteira, mas a Prefeitura de Paris conseguiu resolver o problema."

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