Sem recursos, gestão Haddad desiste de pacote viário do Arco do Futuro

Mudança. Promessa de campanha teve parte excluída na nova versão do Plano de Metas, apresentada ontem; gabinete do prefeito argumentou que intervenções foram incorporadas a Operação Urbana. Novas vias serviriam para interligar Anhanguera e Dutra

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2013 | 02h08

A gestão Fernando Haddad (PT) desistiu de fazer obras de apoio viário ao Arco do Futuro, principal promessa de campanha do prefeito. A construção de duas avenidas paralelas à Marginal do Tietê, previstas para ajudar a interligar as Vias Anhanguera e Dutra, foi excluída do Plano de Metas 2013-2016.

"O governo não tem recursos para fazer esses projetos", argumentou, de forma enfática, Leda Paulani, secretária municipal de Planejamento. Ela apresentou o novo Plano de Metas em audiência realizada ontem pela manhã no plenário da Câmara Municipal. Nem Haddad nem os 11 vereadores do PT foram ao local. Paulani anunciou as mudanças ao lado do secretário de Esportes, Celso Jatene (PTB), e do vereador governista Dalton Silvano (PV).

Mais tarde, porém, por volta das 16h, diante da repercussão negativa do anúncio da secretária, a assessoria de imprensa do prefeito enviou nota oficial na qual afirma que o projeto das avenidas permanece no plano, mas incorporado em outra meta, que prevê "a revisão da Operação Urbana Água Branca e promover o projeto de intervenção urbana Arco Tietê". Mas ninguém quis rebater Leda.

"A Secretaria de Planejamento decidiu adotar tal posicionamento uma vez que o PAC não financia obras viárias urbanas. Os recursos previstos para a licitação das obras do apoio viário norte e sul da Marginal do Rio Tietê deverão advir de intervenções urbanas do Arco Tietê. O que explica a absorção de uma pela outra", tentou explicar o gabinete do prefeito.

O governo tentou desmentir algo que o próprio prefeito já havia adiantado no dia 19 de julho e em sua Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que excluiu as duas importantes obras viárias que dão suporte à ideia do arco.

O apoio sul seria uma nova avenida paralela à marginal, de 8,4 km, que iria da Avenida Santos Dumont à Aricanduva. Ao norte, haveria outra via, de 17,5 km, interligando a Via Dutra à região de Pirituba. Essas obras não estão mais no Plano de Metas. Por outro lado, o governo incluiu uma nova meta que prevê a construção de uma alça de acesso à Avenida Aricanduva.

Diagonais. A meta excluída previa obras de revitalização nos bairros de Vila Maria, Vila Guilherme, Santana, Tucuruvi, Casa Verde, Cachoeirinha, Freguesia do Ó, Brasilândia, Pirituba, Lapa, Sé e Mooca. As duas avenidas excluídas ajudariam a fazer a intersecção de dois eixos de desenvolvimento da cidade: as Operações Urbanas Diagonal Norte e Diagonal Sul, previstas no Plano Diretor de 2002, e o território do Arco do Futuro, formado por 6 mil hectares - área equivalente a 40 parques do Ibirapuera.

Ao fim da apresentação na Câmara, Leda até minimizou a exclusão das avenidas. "O projeto não se reduz às obras do apoio viário. Isso é apenas um dos elementos, o projeto continua existindo. O principal do Arco do Futuro é levar emprego onde tem moradia e moradia onde tem emprego, isso será feito", ressaltou. "Não adianta construir mais viário e depois ele ser sufocado de carros."

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