Sem recurso, Conselho Tutelar de Ribeirão Preto atende 1,8 mil

Atendimentos aumentaram após caso de menino que morreu agredido e quase já ultrapassa o registrado em 2007

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2008 | 21h38

Neste ano, os três conselhos tutelares de Ribeirão Preto já atenderam 1.850 novos casos, perto do número de 2007, que foi de 2.050 - isso sem contar os casos antigos. Instalados em dois prédios alugados e um da própria prefeitura, os conselhos contam com computadores ultrapassados (um cada), cinco estagiários, e apenas um deles tem uma secretária, além de motoristas emprestados pela prefeitura. Um caso chamou a atenção em junho. Após denúncia anônima de vizinhos ao Conselho 1, de que Pedro Henrique Marques Rodrigues, de 5 anos, seria vítima de maus-tratos do padrasto e da mãe, o garoto morreu, em 12 de junho. Conselheiros afirmam que tentaram checar a procedência da denúncia, mas que não localizaram a mãe o padrasto.   Veja também: Casal é indiciado por maus-tratos de garoto que morreu em SP Maus-tratos causaram morte de menino em SP, diz IML Juíza nega prisão a casal suspeito de matar menino Após exames, corpo de garoto é sepultado   O laudo da morte de Pedro apontou embolia gordurosa pulmonar, provocada por fraturas (no braço e no pulso), ou "síndrome da criança espancada". Padrasto e mãe foram indiciados por maus-tratos e o caso está na Justiça. "Todas as denúncias são verificadas e depois requisitamos os serviços profissionais dos serviços sociais da prefeitura", afirma Renata Cecílio, do Conselho 1. Segundo ela, independente do caso de Pedro, as denúncias por maus-tratos aumentaram. "A população está mais consciente e perdendo o medo de denunciar, mesmo que anonimamente", diz Renata.   O Conselho 1, instalado no Centro, tem casa melhor que a anterior. O 2 está no Ipiranga. "A estrutura é precária e a casa é inadequada e está em lugar errado", diz Francisco Gallo Neto, do Conselho 2, que destaca a demanda por creches. "De cada dez vagas pedidas, às vezes conseguimos uma." E emenda: "As respostas dos programas sociais demoram ou não funcionam, precisam ser revistos." Edson Arantes de Oliveira, do Conselho 3, também reclama da falta de vagas em creches, da falta de secretárias (para não sobrecarregar os conselheiros) e da "falta de programas sociais que funcionem adequadamente". Segundo ele, o orçamento da prefeitura só prevê pagamentos de salários e despesas dos conselheiros, e nada de investimentos em equipamentos e materiais.   O secretário de Assistência Social de Ribeirão Preto, Romério Donágio Righetti, informou, por e-mail, que os conselhos tutelares serão integrados na Rede Crescer, por sistema online, em breve, o que "vai permitir integrar todo o sistema de atendimento social do município". Sobre as compras de novos equipamentos (computadores e impressoras), Righetti informou que já existe uma licitação para tal

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