Sem que o metrô esteja no projeto, é tudo impossível

Não há alternativa para o transporte no centro da cidade do Rio de Janeiro que exclua o metrô. A prefeitura quer agora retirar o viaduto da Perimetral, por onde passam 174 mil veículos por dia. E pretende fechar a Avenida Rio Branco, no centro, por onde trafegam mais de 40 mil carros diariamente. Seria interessante se dissessem onde vão colocar todos esses carros.

Análise: Fernando Macdowell, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2010 | 00h00

Tudo isso até poderia ser feito, se o metrô do Rio não estivesse com a capacidade reduzida em quase 50%. O intervalo entre os trens passou de quatro minutos para seis. Quando fizemos o metrô, construímos sete estações no Centro. Isso criaria a oportunidade para que a área fosse trabalhada, como fizemos na época - a Cinelândia virou rua de pedestre.

A Linha 1 foi projetada para chegar a 90 segundos de intervalo. A Linha 2, até 100 segundos. Se a capacidade fosse ampliada - e o intervalo de 4 minutos baixasse para 2 minutos e 20 -, e com a conclusão do trecho Estácio-Carioca-Praça XV, que era a expansão natural do metrô, você poderia fazer o que quisesse no centro. Até fechar a Rio Branco.

Agora, sem que o metrô esteja no projeto de reforma, tudo isso é impossível. Hoje, não tem a menor condição de tirar carro nenhum da Avenida Rio Branco. Não tem como inverter mão, não tem por onde desviar carros. E o metrô não tem como assumir a demanda.

Não satisfeito em fechar a Rio Branco, o prefeito diz que o Elevado da Perimetral vai pelos ares. A Perimetral é acesso da Ponte Rio-Niterói. Não fizeram o trecho Estácio-Carioca-Praça XV e não fizeram a Linha 3 (Rio-Niterói). Por onde vão passar 174 mil carros? É preciso largar as vaidades de lado e voltar aos projetos originais do metrô. É preciso que se tenha visão sistêmica dos problemas ou o trânsito no Rio vai virar um caos.

É DOUTOR EM ENGENHARIA DE TRANSPORTE E EX-DIRETOR DE PLANEJAMENTO E PROJETOS

DO METRÔ DO RIO

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