Sem previsão de chuva, Cantareira baixa mais

Para meteorologista, situação deve continuar crítica nos próximos dias; Alckmin promete investimentos imediatos para uso do 'volume morto'

Caio do Valle, Gabriela Vieira e Mônica Reolom, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2014 | 02h00

O volume de água armazenado nos reservatórios do Sistema Cantareira registrou mais um recorde negativo ontem. O índice caiu 0,3 ponto porcentual, para 17,9% da capacidade. E a perspectiva é de que a situação continue crítica nas próximas semanas.

"A chuva deve voltar hoje, mas não vai adiantar para a Cantareira: são pancadas irregulares, que aparecem de forma pontual e com volume pouco elevado", afirma o meteorologista da Climatempo César Soares.

A pluviometria acumulada no sistema em fevereiro permanece em 48,7 milímetros, equivalente a 24% da média histórica. De acordo com Soares, ao longo da próxima semana não há previsão de grandes volumes de chuva. "O início de março não mostra panorama favorável", afirmou Soares.

Nível crítico. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse ontem que serão feitos "imediatamente" investimentos para lidar com a questão do baixo nível do reservatório. Entre eles o uso de uma ensacadora e de canais na Represa do Atibainha, que compõe a rede hídrica. As medidas servem para utilizar o chamado "volume morto" dos reservatórios, ou seja, as porções de água mais profundas e raramente utilizadas, por causa da dificuldade de sua prospecção. "Vamos fazer imediatamente esses investimentos na Represa do Atibainha e também estamos estudando o uso das bombas de maior profundidade. Não que a gente pretenda utilizar, mas queremos deixar tudo preparado", afirmou.

Diante da atual crise, a Sabesp trabalha em um planejamento de emergência para explorar o volume morto. O uso dessa reserva adicional de cerca de 400 milhões de metros cúbicos exigirá da companhia a compra de novas bombas e a construção de uma infraestrutura capaz de alcançar a água do fundo dos reservatórios.

Na avaliação de especialistas do setor, os custos da operação devem extrapolar o plano inicial de investimentos da concessionária para o ano, mas compensam os gastos com um eventual racionamento de água na Grande São Paulo.

De acordo com o professor do departamento de Engenharia Hidráulica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) Rubem Porto, é provável que a concessionária utilize um conjunto de, ao menos, dez bombas flutuantes. "Além delas, será necessário também um sistema que traga água até elas conforme o nível do reservatório diminua", disse, sem estimar o custo do equipamento.

"Não é só o custo da bomba, é de energia, de tubulação, de obras complementares. É um custo muito alto", afirmou José Cezar Saad, coordenador de projetos do Consórcio PCJ (entidade que representa as demais cidades e empresas que dividem a outorga do Sistema Cantareira com a Sabesp).

Saad também alertou para o fato de que a água do volume morto tem qualidade inferior, o que eleva os gastos com tratamento. "A água desse volume morto não tem oxigenação tão adequada, não tem uma renovação e tem mais sedimentos. É uma água de qualidade inferior e no tratamento serão gastos mais produtos."

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