Sem prazo nem projeto, Kassab desengaveta ideia de demolir Minhocão

Quarto prefeito a tentar destruir o Elevado, ele também propõe derrubar o Terminal Barra Funda e enterrar a linha do trem

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

Com a construção de uma nova avenida de 12 quilômetros ao longo do eixo ferroviário de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) pretende desengavetar um projeto antigo, estudado desde 1993: a demolição dos 3,4 km do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, que liga as zonas leste e oeste da capital e por onde circulam 70 mil veículos todos os dias. Ainda sem projeto ou orçamento, Kassab é o quarto prefeito a apresentar a proposta.

O plano é enterrar a linha férrea entre as estações da CPTM da Lapa, na zona oeste, e do Brás, na região central, permitindo a construção da via que absorveria o tráfego do Minhocão. A obra faz parte da Operação Urbana Lapa-Brás, uma das três cujos detalhes foram divulgados ontem.

O objetivo é desenvolver o eixo férreo - os investimentos virão da iniciativa privada, por meio da compra de títulos da Prefeitura, para que se construa além da área permitida. "Há grande diferença na ocupação e na oferta de empregos e serviços mesmo entre bairros vizinhos, separados unicamente pela linha férrea. Enterrando os trilhos, a avenida poderia fazer a integração", disse o secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem.

A demolição do Minhocão, atrelada à construção da nova avenida - com quatro faixas em cada sentido e margeada por áreas verdes e ciclovias -, é a obra mais destacada pelo governo nas operações urbanas. No termo de referência para interessados na Operação Lapa-Brás, "a retirada do Elevado deve proporcionar o espraiamento das qualidades do bairro de Higienópolis" para os vizinhos Santa Cecília e Bom Retiro, diz a Prefeitura.

Sem estimativa. Não há prazo para o projeto sair do papel. A estimativa da Prefeitura é de que o processo de licitação do projeto urbanístico para as operações urbanas seja finalizado em setembro de 2011. O mercado, porém, estima a conclusão do plano apenas em 2025.

A viabilidade da demolição ainda é incerta, por depender de projetos da iniciativa privada. Como a Prefeitura admite que as obras da nova avenida não seriam finalizadas até 2012 - e o Minhocão somente seria demolido depois da construção da via -, o projeto terá de ser encampado também pela próxima gestão.

Os custos da obra serão definidos após a apresentação dos projetos. Em 2005, a Prefeitura estimou a obra em R$ 80 milhões, após promover concurso para alternativas ao Elevado. O plano da Prefeitura ainda prevê derrubar o Terminal Rodoviário da Barra Funda. Um novo terminal seria construído na Lapa.

No Twitter

O @metropole_oesp foi o 1º a noticiar o plano. Em poucas horas, o número de seguidores do perfil quase dobrou - já são 700.

PREFEITOS VERSUS ELEVADO

Luiza Erundina

Primeira a propor a destruição do elevado. Em 1992, ela limitou o tráfego de veículos à noite. Alegava que o elevado era responsável pela degradação do eixo Leste-Oeste

José Serra

Classificou o Minhocão de "aberração" e, em 2006, relançou um prêmio de arquitetura e urbanismo para que profissionais da área apresentassem alternativas. Alegou não ter verba para mudanças

Marta Suplicy

Em janeiro de 2004, recebeu um projeto de um grupo de arquitetos para desmanchar a passagem e fazer um túnel entre a Praça Roosevelt e o Parque da Água Branca. Não saiu do papel

Gilberto Kassab

Em novembro de 2008, declarou que era favorável à demolição "após a expansão da malha metroviária e ferroviária da região". Queria a substituição por um novo eixo verde na capital

PONTOS-CHAVE

Capacidade

Inaugurado em 1971 pelo prefeito Paulo Maluf, o elevado é a principal ligação leste-oeste da cidade. Nos 3,4 km de extensão trafegam 70 mil carros por dia.

Suporte

1 mil

vigas de concreto sustentam as pistas do Elevado, cada uma com 30 a 40 metros de comprimento

Retirada

Segundo projetos de 2005, demolir o Minhocão e retirar os entulhos das adjacências levariam seis meses e custariam cerca de R$ 80 milhões

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