Sem política integrada, Trecho Sul pode se tornar insuficiente

Com aumento dos veículos em circulação, benefício da obra é anulado

RENATO MACHADO e RODRIGO BRANCATELLI, O Estadao de S.Paulo

14 Março 2010 | 00h00

Faz pouco mais de oito anos que o Trecho Oeste do Rodoanel iria "evitar que a cidade enfartasse", nas palavras do então governador Geraldo Alckmin (PSDB). O primeiro trecho da obra, de 32 km, entre a Via Anhanguera e a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, era apontado como um alívio providencial para os congestionamentos paulistanos - só da Marginal do Pinheiros, o Trecho Oeste pretendia tirar cerca de 50 mil veículos, o que corresponde a 16% da média diária do movimento.

Apesar da sensação de déjà vu com as notícias de hoje, as projeções não eram falácias - o Rodoanel de fato diminuiu em 15% a lentidão. O problema é que essa melhora hoje nem é notada, pois cerca de 1,3 milhão de veículos entraram em circulação em São Paulo desde a inauguração, em 2002. Segundo especialistas, o Trecho Sul deve seguir o mesmíssimo caminho - manchetes animadoras, frases empolgadas dos governantes, diminuição dos índices de lentidão, até chegar a um ponto em que o trânsito volta a ficar infernal e ninguém lembra dos benefícios da obra.

"Nenhuma avenida melhora o trânsito sozinha", diz Fabio Mariz Gonçalves, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. "A longo prazo, ela até pode piorar o trânsito. Um bom exemplo é a Avenida Roberto Marinho. Ela liga nada a lugar nenhum, e no começo ninguém usava. Hoje, ela é congestionada. O que precisa é não só ter o Rodoanel, mas também uma política de circulação de mercadorias, com entrepostos e regras rígidas."

Uma possível solução para o entrave, além de investimentos em transporte público, seria a criação de um Ferroanel, versão sobre trilhos do Rodoanel que circundaria a Região Metropolitana. A ideia é estudada desde a década de 1970.

O objetivo do Ferroanel é retirar os trens de carga da malha urbana, otimizando assim a transposição ferroviária da Grande São Paulo para fluxos de transporte de cargas entre Minas e Rio até o Sul, além de melhorar a acessibilidade ao Porto de Santos. /

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.