Sem polêmica e com menos verba, Parada Gay encolhe

Segundo a polícia, 16ª edição do evento atraiu neste ano menos gente; pela primeira vez, organizadores não divulgaram números

O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2012 | 03h04

Com menos orçamento, mais comportada e supervigiada, a 16.ª Parada do Orgulho LGBT, realizada ontem na região central da capital, encolheu. Pela primeira vez na história do evento, a organização não divulgou oficialmente o público que compareceu à Avenida Paulista. Para a Polícia Militar e habitués do evento, a festa atraiu muito menos gente que nas edições anteriores.

"Está muito mais pobre, com menos gente, menos carros, menos divulgação", resumiu a travesti Desire Viana, de 33 anos, vestida de gladiadora, que há oito anos vem de Porto Alegre (RS) para a parada. Neste ano, o orçamento foi de R$ 325 mil - R$ 120 mil a menos que no ano passado. E o número de trios elétricos caiu de 16 para 14.

"O número de pessoas é secundário. O importante é que fizemos todos gritarem pela igualdade de direitos e ocupamos as ruas", disse o presidente da Associação da Parada, Fernando Quaresma, que acha que o evento pode, sim, ter batido recorde de público porque, do alto de um dos trios, conseguiu "ver a Rua da Consolação totalmente tomada". No entanto, era possível ver ontem grandes vazios durante a passagem dos carros pela Paulista e, caso a organização insista em não divulgar o número, São Paulo corre o risco de perder o posto de maior parada gay do mundo. No ano passado, a estimativa oficial era de 4,5 milhões de pessoas.

Após a polêmica de 2011, que teve como tema "Amai-vos Uns Aos Outros" e a exibição de cartazes de santos, a organização da Parada neste ano adotou um discurso menos provocativo - "Homofobia Tem Cura: Educação e Criminalização".

Alheios à questão política, muitos participantes queriam mesmo é se divertir. De sunga prateada, o promoter Jonathan Scorpions usava um dispositivo nos pés que lhe garantia propulsão para sair pulando no meio da multidão. "Já é segunda vez que venho na Parada vestido desse jeito e adoro porque chamo a atenção", disse.

Com 70 guardas-civis à paisana e câmeras para ajudar a combater o comércio clandestino de bebidas, camelôs tiveram de abandonar os carrinhos e caixas de isopor e camuflar as mercadorias em pequenas mochilas.

O evento não teve tumultos, segundo a polícia, mas muita gente passou mal. "Houve 100 atendimentos médicos, a maioria por embriaguez. Quatro pessoas tiveram de ser levadas a hospitais", disse o tenente-coronel Benjamin Francisco Neto, que comandou a PM n a Parada. A polícia ainda registrou oito furtos de celulares e carteiras, um roubo e apreendeu dois punhais.

O evento começou às 13h20. Após as 16h, todos os trios elétricos já haviam cruzado a Paulista. Um batalhão de garis então tomou a avenida.

Política. De manhã, autoridades manifestaram apoio ao evento LGBT. A senadora Marta Suplicy (PT-SP) disse acreditar que a sociedade brasileira retrocedeu. "Há 16 anos, tínhamos skinheads matando pessoas homossexuais e, por isso, foi realizada a primeira parada. Hoje a parada terá novamente como tema a homofobia e, mesmo assim, nós não conseguimos votar no Senado Federal a criminalização da homofobia. Isso é muito sério."

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) foi sucinto, mas demonstrou apoio aos homossexuais e à Parada. "A cada ano, essa festa se aperfeiçoa, se integra, do ponto de vista político e de infraestrutura." / ARTUR RODRIGUES, CAMILA BRUNELLI e JULIANA DEODORO

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