Sem obras, Av. Jacu-Pêssego alaga

Intervenções incompletas deixam bairros isolados e aumentam a intensidade de enchentes; assaltantes aproveitam falta de iluminação

Paulo Saldaña e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2011 | 00h00

A entrega parcial da Avenida Jacu-Pêssego, na zona leste, não só frustrou usuários como afetou diretamente a população da região. Homens armados têm aproveitado a falta de iluminação e de rotas de saída do novo trecho para fazer arrastões. Nos bairros, intervenções deixadas pela metade praticamente isolaram moradores e ainda têm provocado enchentes.

O pintor Vanderlei Figueiredo, de 39 anos, é um dos moradores do Jardim São Francisco, bairro cortado pela nova pista. "Não tinha enchente aqui, nunca teve alagamento tão forte quanto agora neste verão. E não afetou só aqui, mas também o Jardim Santo André", diz ele, sobre o bairro vizinho.

No local onde deveriam existir as pistas marginais foi feita a terraplenagem que, abandonada, tem contribuído para assorear o Córrego Caguaçu. Até o campo de futebol do bairro, à beira da pista, foi parcialmente destruído pelos alagamentos.

Segundo o líder comunitário Ademir Auro Mota, o bairro ficou isolado. "Não deixaram acessos para nós. Tivemos de fazer nós mesmos um", diz ele, que também se queixa dos frequentes casos de assaltos na via.

Além das obras previstas no projeto, a Dersa também é responsável pela recuperação das ruas vizinhas à pista. Com o trânsito diário de 300 caminhões durante as construção, calçadas e asfalto ficaram destruídos. Há viaduto construído sobre a via que ainda não tem calçadas nem barreiras de proteção para os pedestres. Assim como na inauguração, as passarelas de pedestres ainda são temporárias.

Questionada pela reportagem, a companhia não se manifestou sobre a recuperação das ruas dos bairros e afirmou estar concentrada na instalação de iluminação e na construção de passarelas permanentes.

Promessa. No caso do contador Wagner Rodrigo Cruz de Souza, de 28 anos, a reclamação não é por uma obra pela metade, mas de uma prometida há 47 anos. Ele mora do Guarujá e trabalha em Santos. Enfrenta todos os dias o serviço de balsas entre as cidades. "Em dezembro, por causa de um problema no atracadouro, fiquei mais de 2 horas na fila", diz ele, que ontem, com funcionamento normal, fez o trajeto em 40 minutos. Souza ainda critica a localização das balsas - no mesmo canal de acesso ao Porto de Santos. "Não dá para ter travessia de balsas na frente do maior porto do País." Cerca de 24 mil veículos passam todo dia pela balsa. Nas férias, o contingente praticamente dobra.

Antes da ponte, o governo já estudou fazer um túnel ligando as duas cidades. O especialista em trânsito e ex-presidente da Dersa Luiz Célio Bottura critica os tantos anos de promessa da ponte. "Isso de prometer obras sem um prazo definido é uma anormalidade cultural."

Bottura tem a mesma opinião sobre a duplicação da Rodovia dos Tamoios. "São mais de 30 anos de promessas e até hoje, nada. E o Porto de São Sebastião precisa daquela estrada."

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