SEM HOSPITAL, CARAÁ ESPERA POR CUBANA

Médica é promessa de atendimento mais rápido para a população do município gaúcho

ELDER OGLIARI , PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2013 | 02h13

Uma médica cubana é esperada como a promessa de atendimento mais rápido para os 7,3 mil moradores de Caraá, município localizado ao pé da serra do nordeste do Rio Grande do Sul. A cidade é produtora de arroz, hortaliças e componentes de calçados.

O reforço é significativo para uma rede pública que dispõe de apenas dois clínicos gerais - cumprindo 40 horas semanais em dois postos de saúde-, além de um pediatra um dia por semana e uma ginecologista dois dias por semana. "Precisaríamos de mais dois médicos", diz o prefeito Silvio Miguel Fofonka (PP), manifestando a expectativa de ser atendido em novas etapas do programa federal Mais Médicos.

Há três meses, uma médica deixou Caraá. A prefeitura promoveu um concurso, mas o único participante, apesar de ter sido aprovado, desistiu da vaga. O município conseguiu contratar um novo médico por chamamento público.

Apesar de administrar um orçamento pequeno, de R$ 14 milhões por ano, Fofonka diz que a prefeitura tem condições de bancar as despesas com hospedagem, alimentação e transporte dos médicos, estimadas em R$ 1,3 mil por mês.

A chegada da enviada do Mais Médicos também vai permitir que Caraá crie suas duas primeiras equipes do Estratégia de Saúde da Família (ESF), que prevê o acompanhamento permanente dos pacientes, pelos mesmos profissionais, até mesmo com visitas domiciliares, se houver necessidade.

"O pessoal está contente porque ouve falar que o tratamento é mais humano", relata Fofonka. O prefeito admite que pode ocorrer alguma dificuldade na comunicação entre médicos estrangeiros e pacientes, mas acredita que eventuais contratempos serão superados. "Vamos acompanhar diariamente o trabalho para ajudar a resolver qualquer problema."

A ampliação das equipes vai acelerar o atendimento primário. Na sexta-feira, pacientes esperavam por horas para falar com um médico ou agendavam suas consultas para depois do dia 23. Como os postos fecham no fim da tarde, quem precisa de atendimento à noite ou no fim de semana precisa viajar até o hospital de Santo Antônio da Patrulha, por estrada de chão batido, em carro próprio ou na ambulância municipal.

A distância é de 10 quilômetros. Procedimentos mais complexos podem ser marcados em Osório, a 35 quilômetros, Tramandaí, a 45 quilômetros, ou em Porto Alegre, a 85 quilômetros de distância.

Quem quiser pagar pela consulta também terá de viajar, porque não há médicos particulares em Caraá. "A cidade precisa de mais profissionais", avaliava a agente comunitária Licene Colombo, de 23 anos, à espera de um exame admissional no posto central, na sexta-feira.

O aposentado João Nunes da Silva, de 52 anos, acompanhado pela filha Helena Prisch da Silva, de 26, ficou das 6h às 11h nos bancos do posto aguardando sua vez de falar com o médico para pegar uma receita nova e retirar antidepressivos. "O atendimento que recebemos é bom, o complicado é esperar muito", relatou Silva, que já passou por um cateterismo em Porto Alegre.

No outro posto municipal, na comunidade de Rio dos Sinos, Roberta Oliveira Almeida, de 15 anos, procurava atendimento para a filha Lavínia, de 6 meses, com secreção nos ouvidos. "O ideal seria que tivéssemos um hospital, para não mandar as pessoas para fora", disse.

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