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Sem faixa de solo, trecho da SP-304 já causou outras mortes

Rodovia passa por obras de pavimentação, sinalização e recapeamento; ao menos 5 pessoas morreram só no 2º semestre

Chico Siqueira, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2014 | 17h02


O trecho onde ocorreu o acidente com a morte de 11 pessoas já foi palco de outros acidentes com pelo menos cinco mortos só no segundo semestre deste ano. A pista passa por reformas, com pavimentação de acostamento, melhorias de sinalização e recapeamento, mas não tem sinalização de solo, embora o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informe que o trecho é bem sinalizado.

Em 8 de julho deste ano, o governador Geraldo Alckmin aproveitou brecha na legislação eleitoral para vistoriar e fazer entrega de obras na SP-304. Acompanhado de políticos e prefeitos da região, entregou um trecho de 24 quilômetros e disse esperar que as obras outros cinco trechos, incluindo o local do acidente, fossem entregues até o final deste ano. Na ocasião, o governador declarou que as obras, de R$ 210 milhões nos cinco trechos, seriam uma "vacina contra acidentes, trazendo mais segurança aos motoristas".

No dia 9 de agosto, quatro pessoas morreram em dois acidentes no mesmo trecho. Em um deles - exatamente no mesmo local em que houve o acidente com os estudantes - um casal morreu e 27 passageiros de um ônibus interurbano, ficaram feridos. O motorista do carro, um Gol, Rivelino de Lima, e sua acompanhante, Tainá Aparecida Farrampa, morreram na hora. O veículo invadiu a pista contrária e bateu de frente em um ônibus da Viação Rodoviário Ibitinguense, que fazia o percurso Borborema-Ibitinga.

No mesmo dia, a seis quilômetros do local, o comerciante Carlos Alberto Ramos, de São Carlos (SP), morreu depois que seu carro - que teve de sair para o acostamento durante uma passagem - capotou ao passar pelo desnível causado pelas obras da pista.

O delegado de Ibitinga, Carlos Alberto Ocon, diz que os motoristas não obedecem as placas de limite de velocidade de 60 km/h para o trecho. "A maioria desses acidentes ocorre por imprudência dos motoristas", diz. No entanto, a falta de sinalização de solo pode ter causado o acidente ocorrido na noite desta segunda-feira.

Excesso de velocidade. O delegado disse suspeitar que o caminhão estivesse em alta velocidade fazendo com que o motorista perdesse o controle do veículo e batesse no ônibus. Ele admitiu  que a falta de faixas de solo na pista podem ter atrapalhado o motorista. "Mas se ele estivesse na velocidade recomendada, o acidente não aconteceria", disse o delegado, que espera ouvir as versões dos dois motoristas assim que eles receberem alta do hospital. 

Mortes aumentam 81% no trecho da rodovia. Com as 11 vítimas fatais o número de vítimas em 2014 é 82% maior que o do ano passado todo. Nos 64 quilômetros que separam Ibitinga de Novo Horizonte, morreram nove pessoas em 114 acidentes em 2013. Já neste ano, são 20 mortes em 97 acidentes. Ou seja, a rodovia neste trecho registrou 1,78% acidentes por cada quilômetro no ano passado. 

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