Diego Zanchetta/ESTADÃO
Diego Zanchetta/ESTADÃO

Sem elevador, idoso sobe 466 degraus em abrigo da Prefeitura

Desde 9 de janeiro, quando raio danificou o equipamento, cem idosos da Morada Nova Luz enfrentam o problema

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2015 | 03h00

No abrigo Morada Nova Luz, mantido pela Prefeitura bem no meio da Cracolândia, na região central de São Paulo, moram 62 homens e 38 mulheres com mais de 60 anos, divididos em oito andares e 50 quartos. Desde o dia 9 de janeiro, os idosos enfrentam um problema que consideram mais grave que o risco de andar pela Rua Helvetia, uma via tomada o dia todo por dependentes de crack: o elevador quebrou e muitos deles, alguns com mais de 90 anos, precisam enfrentar 466 degraus para ir ao refeitório e voltar para o quarto.

Uma comissão de idosos revoltada com a situação chamou a reportagem do Estado nesta sexta-feira, 13, ao abrigo. Eles queriam mostrar as condições de senhoras com andadores e bengalas que moram no oitavo andar do abrigo. Uma delas é a aposentada Dilvia Garcia, de 86 anos. “Eu subo e desço umas três vezes por dia. Falta ar viu”, diz a aposentada, moradora do abrigo desde 2012.

Dilvia, praticante de musculação, não tem tantas dificuldades como suas amigas que estão em cadeiras de rodas e precisam passar o dia inteiro dentro dos quartos de 16 metros quadrados que dividem com até três colegas. “Eu sempre peço ajuda para alguém, sozinha não consigo ir ao refeitório”, lamenta Cenita Alexandre de Souza, de 91 anos.

Os idosos contam que o elevador quebrou na noite de 9 de janeiro, após um raio atingir a cobertura do edifício. “O para-raio estava sem manutenção, por isso não segurou o raio. Agora a Prefeitura já avisou que o outro vai começar a funcionar só no dia 2 de março”, afirmou Ernestina Albertino, de 76 anos, que montou uma comissão para tentar intermediar com o governo municipal uma solução para o problema.

A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que até 2 de março o elevador voltará a funcionar. A pasta acrescentou ainda que “os idosos com mais dificuldades de mobilidade foram remanejados para os andares mais baixos e recebem auxílio para subir as escadas”.

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