Caio do Valle/Estadão
Caio do Valle/Estadão

Sem documento de sindicatos, MP deve processar Prefeitura para tirar táxi de corredor em SP

Data para a entrega de cópia de contrato com empresa de trânsito para novo estudo termina nesta quinta-feira

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

30 de janeiro de 2014 | 10h12

SÃO PAULO - O promotor de Habitação e Urbanismo Maurício Ribeiro Lopes afirmou na noite de quarta-feira, 29, que os sindicatos dos taxistas da cidade de São Paulo pediram a prorrogação da entrega de um documento para tentar evitar a proibição dos táxis nos corredores de ônibus. O prazo vence nesta quinta-feira, 30. Se as entidades não cumprirem o estipulado, a Promotoria entrará com uma ação civil pública na semana que vem para obrigar a Prefeitura a retirar esse tipo de veículo das vias exclusivas para os coletivos. A gestão Fernando Haddad (PT) ainda não deu sinais de que cumprirá a recomendação do Ministério Público Estadual até essa data.

Na semana passada, Ribeiro Lopes exigiu dos taxistas o envio da cópia de um contrato com uma empresa de engenharia de tráfego para elaborar um estudo que conteste os levantamentos da Prefeitura que mostram que os táxis atrapalham os deslocamentos dos ônibus dentro dos corredores. Em conversa com o Estado, o promotor disse que não adiará o prazo.

"Tem um pedido de vários sindicatos para prorrogar o prazo para o dia 7 (de fevereiro). Eu não vou prorrogar. Dei o prazo de uma semana, o suficiente para contratar uma empresa. Então, não vou prorrogar", afirmou Ribeiro Lopes. De acordo com ele, as entidades sindicais lhe enviaram um e-mail solicitando a postergação.

Se de fato os sindicatos não entregarem a cópia do contrato ainda nesta quinta-feira, o Ministério Público Estadual manterá a data de 2 de fevereiro, o próximo domingo, como o último dia para a Prefeitura revogar o decreto que autoriza a circulação de táxis nos corredores de ônibus.

Contestação. Dois estudos diferentes da própria Prefeitura -- elaborados após um pedido da Promotoria -- revela que menos de 1% dos passageiros dos corredores de ônibus circulam em táxis, prejudicando os demais 99%, que estão nos coletivos. Caso os táxis saim dos corredores, os coletivos podem ficar até 25% mais rápidos em seus deslocamentos. Esses levantamentos foram feitos pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pela São Paulo Transporte (SPTrans). Outro estudo feito por uma empresa privada, a Tranzum, aponta resultados semelhantes.

São esses três levantamentos que os sindicatos dos taxistas contestam. De acordo com eles, o material foi tendencioso, tratando os táxis como "vilões" do trânsito. Em uma audiência pública na sexta-feira passada, o promotor concordou em adiar o início da restrição no dia 2 caso os sindicatos apresentassem até esta quinta-feira, 30, a garantia de que haviam contratado uma empresa de engenharia de trânsito para fazer outro estudo contestando os três originais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.