Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Sem dinheiro, usuário paga com cartão de débito

Quem não tem dinheiro, passa o cartão no caixa do posto na esquina da Augusta com a Peixoto Gomide

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

15 Fevereiro 2014 | 18h30

Na conveniência do posto localizado na esquina das Ruas Augusta e Peixoto Gomide, a fila de clientes no caixa não é para pagar cerveja ou a gasolina do carro. Quem não tem dinheiro vivo na alta madrugada pode "sacar" o valor para pinos de pó e comprimidos de ecstasy no caixa do posto, acompanhado de um traficante. "Se você quiser três pinos vamos lá, você passa os R$ 60 e já era", conta um traficante ao Estado. "A moça do caixa é parceira", disse.

Durante toda a madrugada, traficantes acompanham até a conveniência usuários que precisam pagar a droga no cartão. Por volta das 4 horas da madrugada de sábado, no dia 8, já não havia mais nenhuma cerveja gelada nas geladeiras da conveniência, mas a fila de quem precisa passar o cartão para pegar ecstasy e cocaína saía do posto.

Logo após passar o cartão na conveniência, alguns jovens pegam a cocaína e já cheiram ali mesmo, na calçada da Rua Peixoto Gomide. "O pininho é tão pequeno que não precisa nem esticar nada. Coloca direto no nariz, duas ‘cafungadas’ direto na ‘napa’ e já era", tentou mostrar um adolescente. Mas o pino de R$ 20 não durou "duas cafungadas". Ele colocou o pino direto no nariz e cheirou tudo de uma vez.

Na mesma rua, um mercado mantido por uma família chinesa vende bebida alcoólica e cigarros sem pedir identidade para adolescentes. Os mesmos jovens que compram drogas de um lado da calçada fazem fila no mercado do outro lado da rua a madrugada toda, à procura de bebida alcoólica.

Na medida em que a madrugada avança, com a mistura de drogas e bebidas, dezenas de jovens caem desmaiados, alguns vomitam, outros continuam cheirando. Por volta das 3h40 de domingo, no dia 9, a reportagem presenciou assaltantes roubando skates de jovens que estavam usando drogas na calçada. Um dos rapazes tentou resistir e levou um soco no rosto.

Sem resposta. A reportagem tentou entrar em contato com a gerência da conveniência, por meio de um telefone passado por funcionários do posto. Até as 23h de sexta-feira, porém, não houve resposta. No mercadinho que vende bebida para menores, o dono abordado na quinta-feira à tarde pelo Estado não quis responder. "Não tem nada disso aqui, pode ir embora", respondeu um senhor chinês, com dificuldade para falar português.

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