Sem decisão judicial, morte no Hopi Hari completa 1 ano

CAMPINAS - Neste domingo (24), faz um ano que a jovem Gabriella Nichimura, de 14 anos, morreu após cair do brinquedo La Tour Eiffel, no Hopi Hari, em Vinhedo (SP), vítima de "uma sucessão de erros", supostamente cometidos por 12 acusados - entre eles o presidente do parque -, que seguem sem julgamento.

Ricardo Brandt,

22 de fevereiro de 2013 | 19h42

Morando no Japão, a família da jovem está indignada com a demora da Justiça brasileira, diz o advogado da família, Ademar Gomes. "A família é vítima duas vezes, porque além de perder uma filha tragicamente, é vítima de um Judiciário sem estrutura", afirmou Gomes, que atualiza o casal sobre os trâmites dos processos criminal e cível.

A menina caiu de uma altura de 25 metros, depois que a trava da cadeira ocupada por ela no brinquedo abriu. Posteriormente, descobriu-se que a cadeira estava desativada há anos. O juiz da 1.ª Vara de Vinhedo, Fábio Marcelo Holanda, aceitou em maio do ano passado a denúncia do Ministério Público contra 12 pessoas, incluindo o presidente do Hopi Hari, Armando Pereira Filho, acusados por homicídio culposo (sem intenção de matar).

"Eles (a família) moram num país de primeiro mundo, onde a Justiça é rápida. Não entendem por que a Justiça é morosa aqui", explica o advogado da família. Segundo Gomes, o pai e mãe estão indignados e constrangidos com a aproximação dessa data e a falta de solução nos processos.

Em uma rede social, a mãe Silmara Nichimura, que por meio de seu advogado, disse não querer dar entrevistas, escreveu sobre a morte da filha e a data. "Nossa. Realmente não sabia que saudade doía tanto. Logo fará um ano que estou sem a minha menina linda."

Gabriella morava com os pais no Japão, onde nasceu. Na casa, a mãe manteve o quarto com a mesma decoração até hoje. Quem tem notícias de Silmara, conta que elas são sempre recheadas de saudade da filha ausente.

Acusação

O promotor Rogério Sanches acusa os réus de serem "omissos ao deixar de tomar os cuidados que impediriam a utilização de uma cadeira do brinquedo que estava havia dez anos desativada". Segundo ele, o processo é demorado porque envolve muitos acusados.

Na área cível, a família também moveu uma ação contra o parque. O pedido de indenização de R$ 4,6 milhões por danos morais e dois salários mínimos para cada um dos pais, retroativo da data do acidente até o dia em que Gabriela completaria 25 anos, em 2022, por danos materiais, ainda segue sem citações, segundo o advogado.

Nesta sexta-feira, o Hopi Hari, informou por meio de sua assessoria de imprensa que homologou um acordo com a família, mas não divulgou seu teor. O advogado da família, Ademar Gomes, disse que eles só se manifestariam na quinta-feira (28) da próxima semana.

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