Sem cumprir meta da 1ª gestão, Kassab prevê mais corredores

Prefeito objetiva construção de 66 km de vias exclusivas, o equivalente a quase metade do que a capital dispõe

Bruno Paes Manso, Diego Zanchetta e Eduardo Reina, O Estado de S. Paulo

28 Março 2009 | 02h00

Depois de viabilizar apenas dois dos cinco corredores de ônibus prometidos para a primeira gestão, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) voltou a planejar a construção de 66 novos quilômetros de vias exclusivas para os coletivos até 2012. A meta é a construção de corredores nas zonas norte, sul e leste. Uma das vias, sem extensão definida, deve cruzar a zona sul pelas regiões de M’Boi Mirim, Capela do Socorro, Parelheiros e Grajaú em direção ao centro da capital.

 

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O trecho da zona norte ainda não foi totalmente definido. Um terceiro corredor deve ir da Avenida Pais de Barros, na zona leste, até o arco norte. No plano de metas, o governo repete a promessa de construir o corredor Celso Garcia, obra anunciada pela primeira vez em agosto de 2007 e atrasada. Kassab não aponta no plano de metas como e quando os projetos começarão a ser executados. Os custos e as possíveis desapropriações para o alargamento de ruas também não foram dimensionados. É o segundo projeto de corredores apresentado por Kassab em menos de dois anos.

 

Em agosto de 2007, a SPTrans chegou a publicar no Diário Oficial da Cidade o plano para a construção de cinco corredores. O secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, anunciou em 2007 que seriam construídas faixas exclusivas nas Avenidas Brás Leme, Sumaré, Celso Garcia, Luis Carlos Berrini e no complexo Corifeu-Jaguaré-Faria Lima. O custo divulgado do projeto era de R$ 314,5 milhões e uma perspectiva virtual dos corredores foi apresentada. O secretário prometeu que os corredores estariam prontos até o fim de 2008.

 

No entanto, após pressão de moradores contrários, o governo desistiu de fazer os corredores na Brás Leme, na Sumaré e na Berrini. A criação de corredores de ônibus é apontada por especialistas como uma das soluções para atrair quem usa o carro para o transporte público. Atualmente, a cidade conta com 103 km de faixas exclusivas, além dos 8 km do Expresso Tiradentes (antigo Fura-Fila), que ainda precisa ser expandido até Cidade Tiradentes, na zona leste.

 

O corredor da Avenida Celso Garcia, na mesma região, não tem previsão para ser concluído. Apesar do novo projeto, na opinião do engenheiro e consultor de trânsito Horácio Figueira o plano de melhoria da mobilidade urbana priorizou propostas para o transporte individual, como a recuperação de 50 viadutos e investimentos em novos anéis viários. Figueira ressalta que, em vez de investir R$ 300 milhões no Rodoanel, uma obra dos governos do Estado e federal seria mais útil para a cidade realocar essa verba para a construção de corredores de ônibus.

 

Uma faixa exclusiva de ônibus, diz o especialista, comporta de cinco a dez vezes mais pessoas por hora do que qualquer faixa de automóvel. “Nossa inspiração é o plano de governo. São propostas de curto, médio e longo prazos. Tomamos por base nossa capacidade de investimentos e de buscar recursos”, justificou o secretário de Planejamento, Manuelito Magalhães. CRECHES Outra proposta que causa polêmica é a de zerar o déficit em creches e escolas infantis.

 

Recentemente, a Prefeitura fez um recadastramento dos interessados por carta e com base nas respostas não enviadas “baixou” o déficit e a lista de espera em 52 mil crianças. Com a revisão da demanda, anunciada neste mês pelo prefeito, o novo déficit oficial de vagas é de 57.607. Aguardam por matrícula em pré-escola outras 14.585 crianças, totalizando falta de 72.192 vagas na educação infantil. Os números têm como referência dezembro.

 

O dado anterior era de junho e apontava déficit de 158 mil vagas, sendo 110 mil em creches e 48 mil em pré-escolas. Procurado pelo Estado, o secretário de Educação, Alexandre Alves Schneider, afirmou que o recadastramento deixou os números mais perto da realidade e ninguém foi cortado do programa. “Caso alguém mostre a correspondência, será matriculado e vai ficar no mesmo lugar da fila.” As entidades sociais pedem revisão.

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