Sem coveiro, Orindiúva fecha cemitério

Moradores de cidade do interior paulista são obrigados a cavar covas de parentes e amigos

Chico Siqueira, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2011 | 00h00

Com 5,4 mil habitantes, Orindiúva vive dias de Sucupira às avessas. Ao contrário do local imaginário de Dias Gomes, onde o prefeito Odorico Paraguaçu lutava para inaugurar o cemitério, a cidadezinha do interior paulista convive com portões do cemitério municipal fechados, por ordem do prefeito Darlei Queiróz de Oliveira (PMDB). Há dois anos, a cidade também está sem coveiro.

A situação obriga os moradores a correr atrás das chaves para entrar no cemitério e, se não tiverem dinheiro para contratar pedreiros particulares, pegar em enxadas para abrir covas.

Na quinta-feira, por exemplo, filhos da aposentada Gelindra Massini, de 85 anos, tiveram de deixar o velório da mãe para abrir a cova onde ela seria enterrada. Um deles, Henrique Belelli, não aguentou a emoção e caiu no choro. "Você não tem ideia de como é enfrentar uma situação dessas. Imagine como se sente um filho sendo obrigado a cavar o buraco onde vai enterrar a mãe", disse. "Até tentamos contratar um particular, mas custaria R$ 300,00 e não tínhamos dinheiro para mais essa despesa."

Nos últimos seis meses, pelo menos três famílias tiveram de enterrar parentes com as próprias mãos. Como a de Josimar Berlamino, morto aos 21 anos em um acidente. No mesmo período, outras quatro famílias pagaram pedreiros.

"Acho um abuso, porque isso é dever do poder público", afirmou a dona de casa Maria Elenira Lopes dos Santos, que em janeiro pagou R$ 200.

Mas nem todos os pedreiros gostam de fazer o bico. "A gente faz com receio, porque não é coveiro, mas acaba aceitando para atender amigos e parentes", diz Cícero Barbosa, que cobra R$ 160 para abrir covas.

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