Sem carro no Largo 13, ônibus dobra velocidade

Zona de restrição em vigência desde segunda-feira elevou fluidez de 11 km/h para 21 km/h no Corredor Santo Amaro, na zona sul

BRUNO RIBEIRO, TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2013 | 02h04

A velocidade média dos ônibus que circulam no Corredor Santo Amaro, na zona sul da capital, dobrou nos primeiros dias de operação da zona livre de carros da cidade, criada na região do Largo 13 de Maio. É o que disse ontem o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto.

Na segunda-feira, primeiro dia de funcionamento das restrições a automóveis, a velocidade média dos ônibus foi de 11 km/h, segundo ele. Na manhã de ontem, chegou a 21 km/h. As medições são online, feitas a partir de aparelhos GPS embarcados nos coletivos e que estão disponíveis na internet (chamado Sistema Olho Vivo).

As restrições ocorrem apenas nos horários de pico. Na parte da manhã (entre 5h e 10h), inclui a Alameda Santo Amaro, a Rua Paulo Eiró e as Avenidas Padre José Maria e Adolfo Pinheiro, no trecho entre o Largo 13 de Maio e Rua Promotor Gabriel Nettuzzi Perez. Na parte de tarde, entre 16h e 20h, a proibição é na Rua Barão do Rio Branco, entre Avenida Mário Lopes Leão e Avenida Padre José Maria.

Reações. A medida, entretanto, está encontrando forte resistência de motoristas e comerciantes que trabalham na região. Por volta das 18h de ontem, no cruzamento da Barão do Rio Branco com a Mário Lopes Leão, nem a presença de quatro agentes da CET impediu que alguns carros furassem a restrição. Em 10 minutos que a reportagem esteve ali, foi possível ver dois motoristas colocarem a cabeça para fora do carro e reclamar com os agentes - as multas ainda não estão sendo aplicadas.

"Estou tendo que dar uma volta enorme. Antes, saía do trabalho e chegava na faculdade em 20 minutos. Nesta semana, estou gastando uma hora e 15 minutos. Um absurdo", disse o engenheiro Celso Viana, de 35 anos.

Entre os insatisfeitos, entretanto, é difícil achar alguém mais revoltada do que Roseli Souza, de 32, funcionária de um estacionamento na Barão do Rio Branco. "Temos 40 mensalistas no turno da noite, gente que estuda por aqui. Nenhum deles consegue mais chegar. Eu mesma não tenho como chegar com meu carro até aqui."

Por outro lado, há quem apoie a proposta - os usuários de ônibus. "É o segundo dia que vou voltar de ônibus desde que isso mudou. Eu acho que vai facilitar bastante a minha volta para casa. Essa rua era toda parada", disse a diarista Jozefa de Souza Santos, de 49 anos, diante de um ponto na Rio Branco (onde o trânsito de ônibus fluía muito bem).

Análises. A Secretaria Municipal dos Transportes informou que os dados passados pelo secretário são um recorte dos primeiros momentos da restrição e que uma avaliação mais completa está sendo elaborada.

Tatto ressaltou que aquele era o único corredor completamente saturado ao longo de todo o dia - não apenas mos horários de pico, como ocorre no restante da cidade. "Ainda estamos monitorando. É possível que tenhamos que fazer mudanças em pontos de ônibus, restringir o estacionamento em alguns locais. Tudo depende de como os carros vão se comportar. O que precisa ficar claro é que nossa prioridade é fazer andar o transporte coletivo", frisou.

O governo do Estado está estudando a viabilidade de adotar o bilhete único mensal, previsto para entrar em operação em novembro. O pagamento das viagens de trem e metrô com o cartão, porém, depende de uma garantia financeira, segundo o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes.

"A Prefeitura avaliou que (a adoção do bilhete) pode ter impacto de até R$ 400 milhões (para o Município)", disse o secretário. "Eles têm uma linha de aporte de subsídio. No caso do Metrô, não temos. Hoje o Metrô é autossustentável operacionalmente. Se deixar de ser, perde financiamentos." Fernandes afirmou que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) pediu uma análise detalhada da questão. Na segunda-feira, o prefeito Fernando Haddad (PT) divulgou que, no dia 15, começa o cadastro de interessados em usar o novo cartão. / T.D.

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