Sem área para aterro sanitário, Sorocaba pode 'exportar' lixo

Aterro da cidade, que produz 400 toneladas de lixo ao dia, está com capacidade esgotada e será desativado

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2008 | 17h54

O aterro sanitário que a prefeitura de Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo, pretende instalar na divisa com Iperó pode causar a contaminação de poços de abastecimento utilizados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), afirma parecer do Comitê de Bacias do Sorocaba-Médio Tietê. Caso a área, de cerca de 100 hectares, não possa ser utilizada, a prefeitura corre o risco de ser obrigada a mandar 400 toneladas diárias de lixo para outro município. O atual aterro sanitário está com a capacidade esgotada e terá de ser desativado até 2009. A cidade não dispõe de outras áreas em condições de abrigar o aterro. A prefeitura já apresentou o estudo de impacto ambiental à Secretaria Estadual do Meio Ambiente. O Eia-Rima está em análise no Departamento de Impacto Ambiental (Daia). O parecer contrário do Comitê de Bacias pode atrapalhar a aprovação. De acordo com o especialista em geomorfologia Fernando Junqueira Vilela, membro da câmara técnica de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Comitê, existe risco de impacto nos mananciais que abastecem também alguns poços particulares. Além disso, o aterro ficaria muito próximo dos bairros que compõem o distrito de George Oeterer, populosos e abastecidos através dos poços da Sabesp. A área escolhida pela prefeitura já tinha sido considerada inadequada também pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) porque aumentaria a presença de urubus nas imediações do aeroporto. O Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se opôs à construção do aterro porque a área fica no entorno da Floresta Nacional de Ipanema. Uma das saídas seria depositar o lixo num aterro sanitário particular que em processo de licenciamento em Iperó. O Ibama considerou essa alternativa "menos impactante". A prefeitura espera a concessão da licença ambiental e garante que não haverá risco de contaminação dos lençóis freáticos.  Uma empresa apresentou à Secretaria do Meio Ambiente um plano de trabalho para elaborar Eia-Rima visando à instalação de um aterro na fazenda Santa Luzia, no bairro Brigadeiro Tobias, em Sorocaba. A região já havia sido descartada pela prefeitura por ser formadora de mananciais.

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