José Patrício/Estadão<br>
José Patrício/Estadão

Sem água, mãe não consegue limpar filha doente

Jovem de 26 anos que vive em bairro afetado por obra emergencial da Sabesp sofre com paralisia cerebral, convulsões e refluxo

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Quando a água falta nas torneiras, a preocupação da dona de casa Seuma Tenório, de 54 anos, é uma só: a filha, Denise Pires, de 26, que tem paralisia cerebral. Com lesão no cérebro, Denise sofre convulsões constantemente, que podem provocar refluxo. “Se vomitar, não vou ter como limpar”, diz a mãe.

Seuma mora na Vila Espanhola, na zona norte de São Paulo, um dos dez bairros afetados por uma obra emergencial da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) na manhã desta quarta-feira, 15. De acordo com a companhia, cerca de 20 mil pessoas tiveram o abastecimento de água prejudicado para que uma válvula fosse trocada na Rua Antonio Pereira Souza, em Santana, também na zona norte. O equipamento quebrou no fim de semana.

Por causa da obra, desde o início da manhã desta quarta-feira, a água da torneira na casa de Seuma saía fraquinha. “(A Sabesp) não avisa nada para a gente. Nunca avisou”, reclama a dona de casa. “Eles não sabem o que acontece nas casas. Imagina se a minha filha passa mal?”, questiona.

Há mais de um mês, afirma Seuma, a água nas torneiras sai mais fraca do que o normal no período da noite. “Pela manhã é novidade. Normalmente, a água para às 20 horas e só volta no outro dia, às 7 horas”, diz.

Para economizar, a dona de casa tem procurado reaproveitar a água com que lava as roupas para também limpar o quintal. “A gente vai se virando. Se não faltar água para as minhas plantas e minha filha, está tudo certo.”

Em nota, a Sabesp informou que programou o reparo imediatamente após a identificação do problema. Nesses casos, diz, o aviso é feito por meio de comunicado à imprensa e por mensagens de celular para clientes cadastrados que autorizam o recebimento desse serviço.

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