Werther Santana/Estadão
Passageiros enfrentam espaço lotado na entrada do metrô Itaquera. Nesta terça-feira, 14, motoristas e cobradores de ônibus decretaram paralisação por 24 horas. Werther Santana/Estadão

Greve de motoristas e cobradores de ônibus em SP: Principais linhas param; veja lista

Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região tem liminar determinando 'a garantia da circulação de 80% do efetivo durante horários de pico (6h às 9h e 16h às 19h) e de 60% nos demais períodos'

Paulo Favero, Isabela Moya e Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2022 | 20h49
Atualizado 14 de junho de 2022 | 16h07

Motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo começaram uma paralisação por 24 horas desde a zero hora desta terça-feira, 14. A negociação com o setor patronal não chegou a um acordo e a greve foi anunciada pelo Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas). Em decorrência da deflagração da greve, o rodízio municipal de veículos está suspenso temporariamente.

Até o momento, a paralisação afeta 713 linhas e 6,5 mil ônibus, que transportariam 1,5 milhão de passageiros no pico da manhã. A SPTrans afirma que está monitorando a frota da cidade e a movimentação dos veículos desde o início desta terça-feira. 

A paralisação dos motoristas de ônibus provocou impacto no índice de congestionamento da cidade. O pico de lentidão registrado nesta terça-feira, em razão da greve dos ônibus municipais, foi de 164 km às 9h, conforme mostram os índices da CET apurados a partir de base de dados do Waze. Esse índice é maior do que aqueles registrados nas últimas semanas, mas não representa o maior índice registrado em 2022 para o período matutino.

Até o momento, a maior lentidão registrada no ano de 2022, no pico da manhã, foi em 13 de abriu quando foi registrada lentidão de 215 km às 8h.  Em relação à média de lentidão, até o momento, para os períodos da manhã do mês de junho de 2022, houve nesta terça-feira um aumento de 46%.

Conforme informações da empresa, no início da manhã, a operação em todas as garagens dos grupos estrutural e de articulação regional foi interrompida. Essas são as linhas de maiores trajetos e que ligam diferentes regiões da cidade. O chamado grupo local de distribuição, que realiza viagens dentro dos bairros, não havia sido afetado até as 6h, de acordo com boletim do órgão da Prefeitura.

CET libera faixas e corredores de ônibus para carros de passeio

Para amenizar a situação, as faixas exclusivas e os corredores de ônibus estão liberados para a circulação de carros de passeio na manhã desta terça-feira.

A companhia afirma que mantém monitoramento constante em ruas e avenidas da cidade para evitar mais congestionamentos. Além disso, o rodízio de veículos municipal de veículos, que valeria nesta terça-feira para placas finais 3 e 4, está suspenso temporariamente.

No entanto, a restrição para placas de veículos pesados e as demais restrições, como Zona de Máxima Restrição à Circulação de Caminhões (ZMRC) e a Zona de Máxima Restrição ao Fretamento (ZMRF), continuam em vigência normalmente.

Medidas operacionais adotadas pela SPTrans

No Terminal Campo Limpo, 12 linhas de ônibus estão sendo estendidas até a Vila Sônia, onde os passageiros podem realizar a integração com o Metrô. As 11 linhas que vão até o Terminal Vila Nova Cachoeirinha estão levando os passageiros até o Metrô Palmeiras-Barra Funda.

Ônibus estão realizando o transporte de passageiros entre os terminais Varginha e Grajaú, onde é possível fazer a conexão com a linha 9 Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Grajaú tem bloqueio e passageiros recorrem ao trem

De acordo com a SPTrans, o Terminal Grajaú, na zona sul da cidade, foi fechado entre 4h e 4h50 por dois veículos posicionados por manifestantes para interromper o fluxo. Durante a madrugada, 46 linhas do serviço noturno, de um total de 150, operaram normalmente.

No terminal, as linhas de ônibus com destino ao Brás, ao Terminal Santo Amaro, ACD Servidor Público e Água Espraiada não estão operando. As demais linhas, com destino aos bairros, operam normalmente. O fluxo de pessoas é baixo, já que muitos se dirigem à estação de trem para completar o trajeto.

Ângela Maria, auxiliar de empresa, conta que está esperando o ônibus sentido Brás há duas horas e meia, desde as 4h30 da manhã. Percebendo que o ônibus não irá chegar, diz que irá voltar para casa. A camareira Margarida Cabral está desde o mesmo horário aguardando o ônibus para chegar ao centro e conta que, como alternativa, vai pegar o trem e o metrô para chegar ao trabalho.

"No Terminal Campo Limpo, 12 linhas estão sendo estendidas até a Vila Sônia, onde os passageiros podem realizar a integração com o Metrô. As 11 linhas que vão até o Terminal Vila Nova Cachoeirinha estão levando os passageiros até o Metrô Barra Funda", detalhou o órgão.

Em Itaquera, ônibus só operam para trajetos curtos; metrô lota

No Terminal Corinthians-Itaquera, na zona leste, os ônibus que vão para regiões mais distantes, como Ermelino Matarazzo, e para os terminais Parque Dom Pedro e Bresser-Mooca, por exemplo, não estão passando por conta da greve. Só estão fazendo viagens os chamados ônibus lotação, que são menores e circulam por dentro de bairros próximos.

A Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM) afirmou que antecipará a oferta máxima de trens do Metrô e da CPTM em circulação e vai ampliar o horário de pico. "Metrô, CPTM, ViaQuatro e ViaMobilidade estarão com trens reservas em condições operacionais em todas as linhas para o atendimento à demanda", disse, em nota.

A movimentação nas estações de Metrô e trens da CPTM começou a se intensificar. Por volta das 8h30, ainda havia registro de operação com velocidade reduzida na Linha 1-azul. A Linha 3-Vermelha, que era a mais afetada no início da manhã, já apresenta situação normal neste momento, segundo informações do Metrô. Mais cedo, filas se formavam nas catracas, diante do grande número de passageiros buscando alternativas para chegar até o trabalho.

O pintor Jovenilton dos Santos, de 42 anos, saiu de casa às 5h desta terça sem saber se os ônibus que levam ao seu local de trabalho, na Vila Formosa, passariam. Ainda com a indefinição, resolveu tentar.

"Eu poderia ir ou no (ônibus) da Vila Carrão ou no do Tatuapé, mas não estão passando", diz ele, que não encontrou ônibus que pudesse pegar ao chegar na estação. Pegar Metrô, explicou, não compensaria, já que teria de pagar duas passagens. "Agora vou ter que voltar para casa para avisar o patrão", conta o pintor, que é morador de Guianases, zona leste.

Trabalhador da construção civil, Sidcley de Oliveira, de 42 anos, explica que só saiu de casa porque mora perto, a cerca de 10 minutos a pé da estação. "Vim tentar a sorte", diz. "Eu até tinha visto que os ônibus iam parar, mas decidi vir para ver se arrumava algum que me atenderia."

Não encontrou. Sidcley disse que também iria voltar para casa para avisar que não conseguiria ir ao trabalho, na região da Vila Carrão. "Infelizmente não tem o que fazer, mas pelo menos tentei", conta.

Conforme funcionários do terminal, as paralisações de funcionários das empresas Metrópoles e Express foram as que mais afetaram os ônibus com rotas maiores. "O ônibus que vai chegar mais longe hoje é o que vai até o Shopping Aricanduva", explicaram. A falta de transportes rodoviários sobrecarregou o Metrô, com centenas de pessoas se aglomerando nos locais de acesso.

A assistente de modelagem Karen de Oliveira, de 25 anos, foi até a estação Corinthians-Itaquera para tentar pegar o ônibus até o Tatuapé, onde trabalha. Como não encontrou a rota operando por conta da greve, ela subiu as escadas rolantes da estação para pegar Metrô, mas se assustou com a movimentação. "Tem bem mais gente que o normal."

Como queria evitar aglomeração, Karen então encostou em um canto da estação e passou a procurar outras opções que a levassem até o trabalho, como linhas de ônibus alternativas ou mesmo vans. Quando a reportagem falou com ela, na manhã desta terça, ainda não tinha encontrado nenhuma. "Estou olhando mais um pouco, mas se não der certo, vou ter que enfrentar essa multidão mesmo."

Analista de telemarketing, Aline Cristina, de 33 anos, conta que a preocupação maior hoje é com a volta do trabalho. Normalmente, ela vai de metrô até o trabalho, na Vila Matilde, e volta de ônibus. "Só que meu ônibus não está passando hoje. Então estou preocupada de, na hora de voltar, ter que enfrentar essa muvuca no Metrô", explica ela, apontando para as filas nas catracas.

Relação de empresas com a operação paralisada em suas garagens

  • Santa Brígida (Zona Norte)
  • Gato Preto (Zona Norte)
  • Sambaíba (Zona Norte)
  • Express (Zona Leste)
  • Viação Metrópole (Zona Leste)
  • Ambiental (Zona Leste)
  • Via Sudeste (Zona Sudeste)
  • Campo Belo (Zona Sul)
  • Viação Grajaú (Zona Sul)
  • Gatusa (Zona Sul)
  • KBPX (Zona Sul)
  • MobiBrasil (Zona Sul)
  • Viação Metrópole (Zona Sul)
  • Transppass (Zona Oeste)
  • Gato Preto (Zona Oeste)

Relação das empresas operando normalmente - Grupo Local de Distribuição

  • Norte Buss (Zona Norte)
  • Spencer (Zona Norte)
  • Transunião (Zona Leste)
  • UPBUS (Zona Leste)
  • Pêssego (Zona Leste)
  • Allibus (Zona Leste)
  • Transunião (Zona Sudeste)
  • MoveBuss (Zona Leste)
  • A2 Transportes (Zona Sul)
  • Transwolff (Zona Sul)
  • Transcap (Zona Oeste)
  • Alfa Rodobus (Zona Oeste)

Terminal Varginha tem manhã esvaziada

O Terminal Varginha, na zona sul, estava "completamente vazio", segundo um funcionário da Prefeitura, que trabalha no local. "Esse horário costuma ser um formigueiro", compara.

Passam pelo terminal apenas os ônibus que vão para os bairros. Aqueles sentido centro estão parados e sem previsão de voltarem a funcionar.

A agente de higienização Vanda Silva, 38 anos, conta que está há três horas e meia, desde às 4h45, aguardando o ônibus para ir trabalhar no Itaim Bibi, na zona sul. "Mandei mensagem para o meu coordenador e ele falou para eu aguardar porque vai normalizar, mas os funcionários daqui dizem que não tem previsão de voltar", diz.

Às 8h10 ainda no terminal, ela conta que costuma chegar no trabalho 6h40. "Estamos esperando a empresa dizer o que a gente faz", afirma.

Ela é uma das poucas pessoas que aguardam no local. A maioria já foi embora. "Quando eu cheguei tinha muita gente, filas enormes, mas a maioria já foi embora", completa Vanda.

Os funcionários do terminal explicam que a Transwolff, concessionária que opera as linhas de bairro, acionou Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese), adicionando um trecho de ônibus até o terminal Grajaú, onde há estação de trem, para desocupar o fluxo do terminal.

Demandas da categoria

"A princípio o setor patronal insistiu em oferecer apenas 10% de reajuste e ainda de modo parcelado. Agora, ofereceram os 12,47%, mas apenas a partir de outubro, o que é inadmissível. Sem o merecido reconhecimento, motoristas, cobradores e profissionais da manutenção cruzarão os braços nesta terça”, avisou o presidente em exercício do sindicato, Valmir Santana da Paz (Sorriso).

As negociações da campanha salarial dos condutores de São Paulo começaram em março, com diversas reuniões com o setor patronal. O pedido de 12,47% de reajuste salarial, referente ao índice do INPC/IBGE, foi aceito, mas só a partir de outubro - o sindicato exige que a proposta pegue a data-base de 1º de maio.

As empresas do transporte rodoviário urbano ofereceram o mesmo aumento de 12,47% também no valor do vale-refeição, mas também a partir de outubro. A negociação foi um pouco melhor do que na anterior, quando foi oferecido 10% de aumento nos mesmo moldes. Além de lutar por um aumento retroativo, o sindicato ainda quer uma Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) de R$ 2.500 e fim das escalas com uma hora para refeição sem remuneração, entre outras coisas.

Na tarde da segunda-feira, 13, houve uma mediação das negociações entre as empresas do transporte rodoviário urbano do município de São Paulo e os trabalhadores do setor, com intermediação do desembargador Davi Furtado Meirelles. As tratativas não evoluíram e o sindicato optou por manter a greve de ônibus em São Paulo.

Liminar determinou 80% da frota no pico e prevê multa

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) emitiu uma liminar determinando "a garantia da circulação de 80% do efetivo durante horários de pico (6h às 9h e 16h às 19h) e de 60% nos demais períodos". Em caso de descumprimento, haverá multa diária de R$ 50 mil e já está agendado para quarta-feira, 15, o julgamento do dissídio coletivo de greve da categoria.

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Greve de motoristas de ônibus em SP: Metrô aumenta oferta de trens para atender a demanda

No entanto, pela manhã, movimentação também provocou lentidão no sistema sobre trilhos; EMTU afirma que pode prestar auxílio pelo sistema Paese

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2022 | 08h59

SÃO PAULO - Diante da greve dos motoristas de ônibus municipais que afeta o transporte público desde a madrugada desta terça-feira, 14, na capital paulista, a Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM) afirma que antecipou a oferta máxima de trens do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em circulação e ampliou o horário de pico.

"Metrô, CPTM, ViaQuatro e ViaMobilidade estão com trens reservas em condições operacionais em todas as linhas para o atendimento à demanda", disse, em nota.

A movimentação nas estações de Metrô e trens da CPTM começou a se intensificar. Por volta das 8h30, ainda havia registro de operação com velocidade reduzida na Linha 1-azul. Segundo a companhia, a velocidade reduzida na linha azul foi provocada por interferência na via na estação Jabaquara, na região da zona sul paulistana.

Já a Linha 3-Vermelha, que era a mais afetada no início da manhã, já apresenta situação normal neste momento, segundo informações do Metrô. Mais cedo, filas se formavam nas catracas, diante do grande número de passageiros buscando alternativas para chegar até o trabalho.

Nas redes sociais, a população relata transtornos nas estações do Metrô, assim como terminais de ônibus vazios.

Para prestar apoio, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU) afirma que pode prestar apoio à São Paulo Transporte (SpTrans) com ônibus gratuitos disponibilizados pelo Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese), caso seja solicitado.

Paralisação

Motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo começaram uma paralisação por 24 horas desde a zero hora desta terça-feira. A negociação com o setor patronal não chegou a um acordo e a greve foi anunciada pelo Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas). Em decorrência da deflagração da greve, o rodízio municipal de veículos está suspenso temporariamente.

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