ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/
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Seis fatos que você não sabia sobre a Freguesia do Ó

Terreno em que o bairro se desenvolveu foi doado por bandeirante ‘até o fim do mundo’

Luiz Felipe Barbiéri, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2015 | 17h32

A Freguesia do Ó se desenvolveu a partir das terras de um bandeirante português, o Manoel Preto. Ele tinha fama de “tenaz apresador” de índios e de sua propriedade partiam inúmeras expedições rumo ao interior do estado. No entanto, fora a pecha de cruel conquistador, Preto também era descrito como um homem de muita fé. Estimado por alguns e odiado por outros, o bandeirante era casado com Agueda Rodrigues, neta do cacique Tibiriçá e tão devota quanto ele – o bairro surgiu, em parte, por causa de sua fé.

      1.“Até o fim do mundo”. Ao conceder parte de suas terras na região para a construção da capela de Nossa Senhora da Esperança, em 1610, Manoel Preto afirmou que os religiosos poderiam utilizar a propriedade como bem entendessem. Além disso, receberiam foros e estariam livres de todo o tributo e pensão “de hoje em diante até o fim do mundo”, como escreveu o Estadão, em maio de 1955. “Havia elegância e vigor até na redação de uma corriqueira doação nesses tempos de tenacidade e aventura.”

 

      2.Nome da capela. Quando o bandeirante decidiu construir uma capela para cumprir com suas obrigações religiosas, ideia dada por sua esposa Agueda, houve uma divergência quanto ao nome da paróquia. A mulher queria que a igreja se chamasse Nossa Senhora da Expectação do Parto. Preto interveio e mudou a denominação para Nossa Senhora da Esperança. 

 

      3.“Ato de heroísmo”. A primeira ponte construída sobre o Tietê para ligar a margem direita do rio, onde está a Freguesia do Ó, à margem esquerda, era de madeira. Precária, ela permitia só um carro por vez.  Nota publicada pela Província de São Paulo descreve a travessia como um “ato de heroísmo”. “Consta que aquela ponte está a cair (...). A Lancha a vapor de sr. Rodge ainda não se atreveu a transpor aquele passo, pois há receio de que o mínimo abalo descambe a ponte sobre o barco. E isto aqui à beira da capital e do governo provincial’.

 

      4.Bonde. Em março de 1887, o jornal “A Província de São Paulo” publicou uma nota sobre a possível construção de uma linha de bonde que ligaria o centro à Freguesia. Se tivesse saído do papel, é provável que o bairro não tivesse crescido isolado e pacato, como uma cidade do interior.  Diz a nota: “A presidência da província sancionou o projeto de lei autorizando o governo da província a contratar (...) a construção, uso e custeio, por cinquenta anos, de uma linha de bondes de bitola estreita, tirada por animais, que partindo do Largo do Paysandu (...) se dirija à Freguesia do Ó”.

 

      5.Tão longe quanto Santos. Reportagem do Estadão já no século XX dá uma dimensão do tempo que levou para o adensamento da capital alcançar o distrito. Sob o título de “Freguesia do Ó, um bairro abandonado”, o texto classifica a Freguesia como um “conjunto de absurdos”. Afirma ainda que por falta de uma via de acesso rápido, o bairro fica tão distante da vizinha Lapa quanto a cidade de Santos.

 

      6.Caninha e violência- Em 1928, o “Diário da Noite” atribuiu à fabricação da “caninha do ó” a violência que acometeu o bairro no século XVIII. “Nas proximidades havia então numerosos engenhos, onde era fabricado a ‘caninha do ó’. Nessa altura, começaram, naturalmente, os motins, que por longos anos agitaram a calma freguesia. Depois, a rendosa e perigosa indústria começou a decair. E parece que com a decadência da fabricação da caninha, a moralidade ressurgiu, aprofundou raízes e floresceu em vistosas flores de melhores costumes...’

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