Acervo/Estadão
Acervo/Estadão

Seis curiosidades sobre o Jardim Paulista

No terreno hoje ocupado pelo Masp, já foi possível tomar chá das cinco "respirando ar puro". O complexo gastronômico, que já não existe, foi durante algum tempo o ponto de encontro da alta sociedade paulistana, nos início do século XX

O Estado de S. Paulo

01 de setembro de 2015 | 20h35

A história do Jardim Paulista poderia ser sintetizada em alguns verbos: viajar, roçar, morar, comprar e vender, comer e beber. Desde o século XVI, quando funcionava como passagem às vezes pantanosa em direção ao Ibirapuera, o bairro já foi dividido em fazendas e sítios. Depois, no comecinho do século XX, quando os industriais e comerciantes ricos resolveram viver por ali, passou por um grande impacto urbanístico. Virou o bairro de muitos palacetes nos fundos da Paulista. Foi nessa época que surgiu no terreno hoje ocupado pelo Masp um misto de restaurante e confeitaria para tomar chá ao ar livre. Um ponto de encontro da alta sociedade. Então vieram outras tantas transformações, como a construção de prédios para morar e para trabalhar. Hoje, além de porto seguro para comer e beber em bons restaurantes o bairro também é referência em comércio de rua, com lojas chiques e populares em praticamente todos os segmentos. Dá para resolver “de um, tudo”, sem ir ao shopping.

A seguir, veja algumas curiosidades que acompanham sua trajetória.

1. O assassinato de Sofia

Uma das ruas mais importantes do Jardim Paulista é a Peixoto Gomide, homenagem ao político Francisco de Assis Peixoto Gomide. Antes ainda da existência oficial do bairro, em janeiro de 1906, uma tragédia ocorreu na família Gomide. Então presidente do Senado estadual, ele matou a própria filha e se matou. Foi em casa, depois do almoço, quando a menina fazia crochê. Sofia tinha 22 anos e estava de casamento marcado com um jovem promotor público de origem humilde, Manuel Batista Cepelos. Duas versões para o caso: Gomide, segundo reportagens do Estado, estava deprimido, não suportando a ideia de se separar da filha e até já havia procurado ajuda psiquiátrica. Na página 142 de seu “A Capital da Vertigem”, Roberto Pompeu de Toledo anota outra teoria, que não saiu nos jornais. Essa versava sobre a paternidade de Cepelos. Gomide seria o pai e queria impedir a união, mas não teve coragem de contar a verdade para a filha.

2. A avenida Paulista teve outro nome

Entre 1927 e 1930, uma lei fez mudar o nome da Paulista para avenida Carlos de Campos. Era uma homenagem ao ex-presidente do Estado, morto naquele ano. A mudança do nome refletia o período marcado pelas revoluções de 1924 e de 1930. Carlos de Campos, filho de Bernardino de Campos, era chefe do governo de São Paulo quando explodiu a Revolução de 24, movimento que combatia as oligarquias políticas. Ele era um dos alvos do movimento.

3. O restaurante e a confeitaria que deram lugar ao Masp

Em 1916, em frente à reserva de arvoredo do Parque Trianon, foi inaugurado o Clube Belvedere Trianon. “São Paulo possui um estabelecimento, como certamente não há outro na América do Sul (...). Hoje realiza-se a primeira sorieé-tango oferecida pelo sr. Vicente Rosatti às exmas. famílias paulistas”, noticiou o Estado. Surgia então um misto de restaurante e confeitaria, ponto de encontro obrigatório da alta sociedade. Na esplanada envidraçada funcionavam os bares superiores com várias mesinhas de concreto e tampo de mármore, onde era servido ao ar livre o chá das cinco. “O Trianon torna-se o ponto preferido para quem aprecia a boa música e o ar puro”.

4. O Masp e a rainha

No final dos anos 1920, com a crise do café, o requintado restaurante Trianon e os salões foram fechados. Em 1953, o prédio foi demolido. Seria erguido em seu lugar, muitos anos depois, o Masp projetado por Lina Bo Bardi. Até a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, participou da inauguração do museu, em 1968. O edifício levou doze anos para ficar pronto. 

5. Cavalos na Paulista

Segundo uma denúncia publicada no Estado em 5 de agosto de 1930, animais viviam largados em plena avenida Paulista. Clique para ver a notícia original.

6. O primeiro grande prêmio de automobilismo

Em 1936, o vizinho Jardim América sediou o primeiro grande prêmio de automobilismo da cidade. Muita gente se aboletou na Avenida Brasil, umas das principais passagens do circuito. Ao todo, o público somava umas 7 000 pessoas. Na última volta, quando o brasileiro Manoel Teffé e a francesa Hellé Nice disputavam o primeiro lugar, “um espectador se debruçou sobre a barreira de alfafa em direção à corredora francesa”. Ela perdeu o controle do carro e bateu. seis pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.