'Segurei a mão da minha mulher e pensei: Meu Deus!'

Psicanalista conta que após explosão na turbina direita, Airbus balançou muito e cabine foi invadida por cheiro de querosene

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2012 | 03h02

O psicanalista João Batista Ferreira, de 74 anos, era um dos 201 passageiros do voo JJ8055 da TAM, que partiu quarta-feira de Paris com destino ao Rio, mas precisou voltar à capital francesa para pouso de emergência. A seguir, ele conta detalhes do que ocorreu quando o Airbus A330 perdeu uma das turbinas pouco depois de decolar. Ninguém ficou ferido. Passageiros voltaram ao Brasil ontem.

"O voo decolou pontualmente por volta das 23 horas de Paris. Uns 20 minutos depois da decolagem, a turbina do lado direito explodiu. Pensamos que algum tipo de contêiner tivesse caído do porão do avião, tamanho foi o barulho que fez e o balanço que provocou no avião.

Eu estava sentado do lado esquerdo, mas as pessoas da direita viram chamas e todo mundo sentiu cheiro de querosene. A instabilidade do avião era muito grande, ora tombando para a direita, ora para esquerda. Nesse momento, o avião ainda estava subindo e, de repente, o bico do avião começou a baixar. Segurei a mão da minha mulher e pensei: 'Meu Deus!'.

Pensei logo no avião da Air France que caiu no meio do oceano. Durante alguns minutos, o avião ficou meio desgovernado, mas o piloto foi de uma habilidade incrível e retomou o controle. Quando o avião ficou estável, o piloto teve uma postura que achei fundamental para manter todo mundo calmo. Ele disse: 'Senhores passageiros, perdemos a turbina do lado direito, estamos voltando para Paris'.

Começamos a descer e o avião pousou com muita maestria. Só no aeroporto tomamos consciência da gravidade da situação, por causa da quantidade de bombeiros e ambulâncias que cercaram a aeronave. Durante o susto, houve um silêncio que eu nem sabia que podia existir nessas situações. As pessoas se mantiveram rigorosamente no lugar delas e ficaram estáticas até o pouso da aeronave. Só aí é que se ouviram choro e orações, mas sem nenhuma histeria. Apenas uma das aeromoças estava em prantos. Quando pousamos, muita gente foi agradecer o comandante. A tripulação foi aplaudida e os comandantes aceitaram os agradecimentos, mas disseram: 'Temos é de agradecer vocês pelo silêncio absoluto'.

O atendimento em terra da TAM foi excelente. O avião estava lotado, mas todos foram assistidos e conseguiram hotel. Quem tinha mais pressa para embarcar foi reacomodado em outros voos imediatamente."

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