Hélvio Romero
Hélvio Romero

Segurança na região da Praça da Sé deve ser revista, diz cardeal

Ex-presidiário atirou em morador de rua, que libertou refém, e foi alvejado por PMs na sexta; templo não recebeu segurança extra

José Maria Mayrink; Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Depois de rezar com os fiéis por Francisco Erasmo de Lima e Luiz Antônio da Silva, que morreram sexta-feira no tiroteio na escadaria da Catedral da Sé, o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, pediu neste sábado, 5, que ninguém deixe de ir a essa igreja por medo da violência, “porque fatos como esse podem ocorrer em qualquer lugar”. Não houve mudança na segurança local. Mas d. Odilo pretende pedir às autoridades segurança mais qualificada na região.

“As pessoas podem ser levadas a ligar à Catedral a violência da região da Praça da Sé, mas isso não seria correto, pois o interior do templo é um lugar tranquilo e conta com uma vigilância atenta para proteger seus frequentadores”, disse o cardeal ao Estado. “As nossas portas continuarão abertas para todos aqueles que vêm aqui em busca de misericórdia e perdão.”

D. Odilo adiantou que, para evitar a repetição desses casos, a Arquidiocese poderá propor vigilância mais qualificada em toda a Praça da Sé. “Existe um esquema de segurança, mas sempre é possível melhorar.” E defendeu a ação dos seguranças, que até fecharam as portas ao notar o tumulto para proteger os fiéis. “Nossos vigilantes estiveram atentos e perceberam uma situação de conflito entre um homem e uma mulher dentro da igreja, mas ninguém podia imaginar que a mulher fosse, em seguida, sofrer violência na escadaria”, disse.

Ouvido anteontem pelo Estado, o padre Júlio Lancellotti, vigário episcopal para o Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, destacou que os agentes “estão ali para evitar algum tipo de confusão, barulho ou perturbação”. E reforçou que a região da Sé se tornou um “campo minado” sobretudo para os moradores de rua. “Acontecem muitas coisas, muita violência.”

Os moradores de rua são a presença mais constante na Catedral, disse o cardeal neste sábado. “Vêm para rezar, descansar e até mesmo para tirar uma soneca”, observou. Frequentemente, são convidados para celebrações especiais. “O Reino de Deus é a boa nova para os pobres e a frequência do templo deve manifestar isso.”

Antes da missa do meio-dia, o cardeal fez uma oração no local onde ocorreram as mortes. Mas a rotina foi mantida, incluindo o rito normal do aniversário da dedicação da Catedral a Nossa Senhora da Assunção e a reunião mensal dos Arautos do Evangelho. As paredes e as portas da Catedral ainda estavam com as marcas dos tiros. No chão havia manchas de sangue.

O tiroteio. Segundo a polícia, o tiroteio de anteontem começou depois que Luiz Antonio da Silva, de 49 anos, armado com um revólver, dominou a balconista Elenilza Mariana de Oliveira Martins, de 25, dentro da Catedral, após a missa. Já nas escadas, percebeu a aproximação de policiais militares e gritou que a balconista era sua refém.

O local foi cercado. Elenilza Ainda tentou fugir, mas levou uma coronhada no rosto. O morador de rua Francisco Erasmo Rodrigues de Lima, de 61 anos, subiu as escadarias para salvar a balconista. Mas acabou baleado pelo criminoso.

Elenilza conseguiu escapar e Silva acabou baleado por PMs e um guarda-civil municipal. O morador de rua caiu morto na frente da porta de entrada da Catedral da Sé. As vítimas eram conhecidas pelos frequentadores do templo. Lima costumava pedir esmolas, dormir nas escadarias e também em albergues próximos. 

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