Segurança na Copa volta a ser questionada

Imprensa internacional destaca que incêndio é péssimo para a imagem do Brasil, mas Fifa e COI dão apoio ao País

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE, GENEBRA, O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2013 | 02h04

A tragédia em Santa Maria reabriu o debate internacional sobre a capacidade do Brasil de receber grandes eventos esportivos e garantir a segurança da população. Meios de comunicação estrangeiros afirmaram ontem que a tragédia na cidade gaúcha é incompatível com os anseios de um país que quer ter um novo status mundial.

O Financial Times ironizou o lema da bandeira brasileira ao usar a expressão Idiotia e Progresso e afirmou que a nova crise ameaça até a presidente Dilma Rousseff. Outros jornais alertaram que o Brasil precisa de "menos samba e mais sobriedade". "Para um país que cresce em termos econômicos e está se preparando para mostrar seus progressos com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, a lista de erros e fracassos que levou ao incêndio de sábado promove a pior das publicidades", diz o Financial. "Regulamentos dos mais básicos, propriamente aplicados, teriam evitado a tragédia e salvo a vida de muitos jovens", continua o texto, destacando que a tragédia pode aumentar a pressão sobre Dilma, depois de ver a economia sofrer um forte freio em 2012.

A revista Time preferiu destacar como o incêndio, ironicamente, matou jovens brasileiros que estudavam justamente para ajudar o Brasil a se transformar em um país desenvolvido. "Eram lindos e brilhantes. E justamente garotos que o Brasil tanto precisaria", apontou a revista. Para a Time, Santa Maria pode ser um ponto de virada para o País. "O Brasil precisa de um pouco menos de samba e mais sobriedade enquanto avalia onde está e o que faz."

A maior parte da imprensa internacional seguiu a mesma linha: a imagem do País sai fortemente arranhada e os esforços de imagem para sediar a Copa e a Olimpíada foram minados. Para a BBC, o drama "manchou" a imagem do Brasil, justamente a 500 dias para o Mundial. Segundo o jornal suíço Le Matin, "o incêndio reabre as preocupações sobre a segurança em locais públicos no Brasil".

Em carta à presidente Dilma Rousseff, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, se mostrou solidário. "Embora as palavras pouco possam fazer para confortar a dor e a angústia do país neste momento, a família do futebol está pensando nos brasileiros neste momento triste", disse Blatter. "Gostaria que você (Dilma) soubesse que, com 500 dias para ir até a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, o nosso jogo está aqui para apoiar com esperança e pensamentos positivos as pessoas que estão sofrendo e ajudá-las a superar esses dias escuros."

O drama não tem "nada a ver com a segurança dos estádios", disse o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, às agências internacionais e em mensagens no Twitter. "Temos um plano de emergência para evacuar um estádio completo em 8 minutos. O que aconteceu não pode ser comparado à organização do plano de segurança da Copa do Mundo. Temos plena confiança no Comitê de Organização local e nas autoridades."

O Comitê Olímpico Internacional insistiu que a segurança é sua principal preocupação e não questionou o Brasil. "A segurança de todos os envolvidos com a preparação dos Jogos Olímpicos é a prioridade do COI. Estamos trabalhando com o comitê organizador para garantir que padrões internacionais de segurança sejam respeitados e não temos razão para duvidar que a Rio 2016 ocorrerá de forma segura."

Por meio da Embaixada de Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enviou condolências ontem e disse que Israel está "à disposição para ajudar". "Nossos pensamentos e orações estão com as famílias das vítimas e todo o povo brasileiro neste momento tão difícil." O governo da Bélgica também divulgou nota de pesar, assinada pelo cônsul-geral Didier Vanderhasselt, desejando "rápido restabelecimento aos feridos e coragem a todas as outras pessoas afetadas por esta tragédia".

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