Segurança armada em shoppings divide clientes

Desde 5ª, vigias do Pátio Higienópolis usam arma e colete à prova de bala na área externa; no Campo Limpo, treino de pânico para funcionários

Camilla Haddad e Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2010 | 00h00

Quatro dos seis shoppings que foram alvo de assaltos neste ano reforçaram a segurança após os ataques. Um deles ofereceu treinamento a funcionários para casos de pânico. A mudança mais recente aconteceu na quinta, no Pátio Higienópolis, região central. Agora, seguranças do estacionamento e da área externa do estabelecimento estão armados.

Além disso, os guardas do Higienópolis usam coletes à prova de balas. A mudança despertou curiosidade. A advogada Fabiola Teixeira Salzano, de 41 anos, reprovou a mudança. "Acho perigoso. Porque se houver algo eles vão atirar para tudo que é lado", afirmou. "Agora corremos mais riscos", avaliou. No Santana Parque Shopping, alvo do assalto mais recente neste ano, os vigias da área externa também ficam armados.

Ao ver os seguranças, o advogado Thyrso Martins Neto, de 62 anos, decidiu se informar. "Até eles estão mais tranquilos porque agora há uma vigilância ostensiva", disse. "Acredito que afasta a possibilidade assaltos."

O Shopping Campo Limpo, na zona sul, alvo de assaltos em maio e em julho, investiu em equipamentos e reformulou seu plano de segurança. Foram comprados alarmes e o número de vigilantes aumentou. Eles também fizeram cursos sobre como agir em momentos de pânico.

No Cidade Jardim, no Morumbi, também na zona sul, alvo de dois roubos, em maio e em junho, uma guarita blindada foi instalada no acesso. A administração contratou 50 homens para reforçar a vigilância.

Mas, segundo Luis Augusto Ildefonso, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), os centros de compra não têm vigilantes armados nas áreas internas. "Cabe à segurança pública ter uma atuação mais próxima dos shoppings para proteger e defender o cidadão. Precisamos de uma atuação mais ostensiva", reclama. Em todos os ataques a shoppings neste ano, só um resultou em troca de tiros, no Santana Parque Shopping. Nenhum cliente foi baleado. Um segurança morreu.

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