Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Segunda noite de desfiles em SP tem louvor para todos os ‘Zés’ e gêneros

Anhembi receberá tributos a Mãe Menininha, Salvador e Curitiba, cantos por paz e banquete e uma chance para ‘Asa Branca’ no samba

O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2017 | 03h00

Como em outros carnavais, a palavra que mais surge quando analisamos os sambas do segundo dia dos desfiles no Anhembi é amor. Mas ao verificar os enredos se chega à conclusão de que é um amor pelas homenagens, pela louvação. Na noite deste sábado, 25, o sambódromo vai celebrar de Mãe Menininha a todos os Zés do Brasil.

É por eles, pelo Zé Pereira aliás, que a Mancha Verde abrirá o desfile. De volta à elite do carnaval paulistano, a escola promete encantar e festejar os 7 milhões de Josés do Brasil.

Na sequência, a Unidos do Peruche vai celebrar Salvador. O carnavalesco Murilo Lobo promete temperar a passagem pela avenida com tons típicos de costumes, religiosidade, música e lendas. Salvador e a Bahia ainda vão voltar ao Anhembi no samba-enredo da Vai-Vai, comandada por um presidente soteropolitano, Darli Silva. Ele trará a principal homenagem da noite, à Mãe Menininha do Gantois - ialorixá do Brasil.

Nascida Maria Escolástica da Conceição Nazaré e morta em 1996, ela assumiu o mais famoso terreiro baiano em 1922, viu a perseguição ao candomblé ter altos e baixos e abriu Gantois a brancos e católicos. Nunca deixou de ir às missas e chegou a convencer os padres a deixarem as mulheres frequentarem as celebrações com trajes típicos.

Vale aqui ainda uma lembrança carnavalesca: ela já foi tema de enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel, em 1976, com samba interpretado por Elza Soares. Quatro ano antes já havia sido imortalizada em música de Dorival Caymmi: “A beleza do mundo, hein/ Tá no Gantois/ E a mãe da doçura, hein/ Tá no Gantois...”.

 

 

‘Asa Branca’. Falando em música, o Nordeste ainda pedirá passagem na madrugada para uma pausa no samba para que todos possam lembrar uma das mais famosas composições brasileiras: Asa Branca, trazida pela Dragões da Real.

Há 70 anos, em 3 de março de 1947, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira compuseram aquela que para muitos é o hino do baião. O “forrozear” da agremiação promete fazer muito nordestino chorar de saudade na avenida ao lembrar do rei do baião: “Eu te asseguro/ Não chore não, viu/ Que eu voltarei, viu/ Meu coração”. 

A Vai-Vai, com sua ambientação de Salvador, assume logo depois, às 2h50. E será seguida por outra agremiação que escolheu uma cidade a homenagear: a Nenê celebrará Curitiba com “A ópera de todos os povos”. Seu tributo destacará, como era de se esperar, virtudes da capital no urbanismo, na cultura e na sustentabilidade.

Campeã e banquete final. A atual campeã, a Império de Casa Verde, será vista um pouco mais cedo, por volta da 1 hora. E sua aposta não será tanto no amor, mas na paz, em sua busca pelo bicampeonato - após uma “seca” de mais de uma década.

O carnavalesco Jorge Freitas considera que nos últimos três anos sobrou crise e faltou paz aos brasileiros. Lembrando que o samba avançou com os escravos, em um tempo de sofrimento e dor, ele procurará levar a avenida o conceito de que sambar também pode ser sinônimo de pacificar.

Por fim, para pacificar os ânimos e fechar o carnaval de avenida paulistano, a Rosas de Ouro promete levar um banquete festivo ao Anhembi já no amanhecer. Convidando a família para sentar à mesa, prática milenar, a agremiação promete servir de fruto a colher, no calor do braseiro, com direito a citação: “Nosso pão de cada dia/ Com uma pitada de amor/ Para a miséria acabar/ Somos irmãos, em comunhão”.

DESFILES DESTE SÁBADO

Mancha Verde

Horário: 22h30

Enredo: “Zé do Brasil, um nome e muitas histórias"

Trecho do samba: “ÊÊÊ, o meu nome é expressão popular/ ÊÊA, o clamor a liberdade/ Imortal/ Capoeira, Capoeira”

Unidos do Peruche

Horário: 23h35

Enredo: “A Peruche no maior axé exalta Salvador, cidade da Bahia, caldeirão de raças, cultura, fé e alegria"

Trecho: “Firma o batuque no terreiro, a Filial vai passar/ Bate o tambor mandingueiro, faz a baiana girar/ Na proteção dos meus dias, carrego meu patuá / Samba iô iô, samba iá iá”

Império de Casa Verde

Horário: 0h40

Enredo: "Paz. O império da nova era"

Trecho: “Sou Casa Verde paixão e amor/ Juntos num só ideal/ Vamos erguer essa bandeira/ Clamando pela paz Universal”

Dragões da Real

Horário: 1h45

Enredo: “Asa Branca"

Trecho: “Vem forrozear/ Que o sanfoneiro vai tocar/ Meu samba em forma de oração/ Eu sou Dragões/ É Asa Branca embalando gerações”

Vai-Vai

Horário: 2h50

Enredo: "No Xirê do Anhembi, a Oxum mais bonita surgiu... Menininha, mãe da Bahia - Ialorixá do Brasil”

Trecho: “Ora Yê Yê Oxum, vem nos abençoar/ A Bela Vista hoje vai cantar/ Bate cabeça, abre a roda pra saudar/ Mãe Menininha do Gantois”

Nenê de Vila Matilde

Horário: 3h55

Enredo: “Core e tuba. A ópera de todos os povos, terra de todas as gentes, Curitiba de todos os sonhos"

Trecho: “Lá vem Nenê, segura que eu quero ver/ Meu samba vai levantar poeira/ É o lado leste sacudindo a avenida/ A vila exaltando Curitiba”

Rosas de Ouro

Horário: 5 horas

Enredo: "Convivium. Sente-se à mesa e saboreie "

Trecho: “Vem saborear, vamos brindar/ Um novo dia/ A Roseira põe a mesa pra você/ Eu quero ver, um banquete de alegria”

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.