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Sedes precisam de R$ 104 bilhões

Além de estádios, governo e iniciativa privada terão de investir em mobilidade, saneamento, hotéis e geração de energia

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

Parcerias estreitas entre a iniciativa privada e as três esferas de governo - municipal, estadual e federal. Investimentos na casa dos bilhões de dólares em diferentes capitais brasileiras. Instituições públicas a serem testadas em tarefas que vão da fiscalização à execução de obras, como construção de estádios e estradas, ampliação de aeroportos e de redes de transporte público. Toda essa mobilização, para complicar, precisa dar bons resultados em menos de quatro anos.

 

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A Copa do Mundo, que vai ocorrer em 2014 em 12 capitais brasileiras, e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, vão testar a capacidade administrativa dos próximos governantes. Como aproveitar da melhor maneira essas oportunidades? O que o Brasil pode esperar do evento? Como impedir que as expectativas acabem frustradas?

Dois estudos, que começaram a ser feitos há mais de um ano em parceria com o Ministério dos Esportes, mergulharam em pontos distintos sobre a Copa 2014. A primeira análise, feita pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib) com ajuda de duas consultorias, debruçou-se sobre a infraestrutura das 12 capitais que terão os jogos. E revelou um dado inédito: será preciso que governo e iniciativa privada invistam pelo menos R$ 104 bilhões em obras para chegar à Copa em boas condições.

A previsão de custos de estádios corresponde a ínfimo 1,5% do total a ser aplicado. O grosso dos investimentos - 33%, ou R$ 60,9 bilhões - iria para obras de mobilidade, como metrô, ônibus, novas ruas e avenidas. Perto de 20% desses projetos já estão em execução. "Não temos pretensão de dizer quais são as necessidades de cada capital. Mas o grande mérito do levantamento foi definir critérios e metas que podem ajudar a nortear decisões", afirma Ralph Lima Terra, vice-presidente executivo da Abdib.

Em outra frente, a Fundação Getúlio Vargas Projetos tentou prever quanto a economia brasileira poderá movimentar com a Copa. O estudo considerou investimentos de R$ 22,4 bilhões em infraestrutura e organização, somados a R$ 5,9 bilhões com gastos dos turistas e R$ 1,2 bilhão em despesas operacionais. Esses valores causariam efeitos em cascata e movimentariam R$ 142 bilhões na economia. Isso significa, pelo levantamento feito em parceria com a Ernest & Young, 3,6 milhões de novos empregos e R$ 18 bilhões em arrecadação. "Mas é fundamental que investimentos sejam bem aplicados, o que significa planejamento e não deixar para fazer as coisas na última hora para evitar desperdício", conclui Fernando Blumenschein, coordenador do projeto.

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