Sede de jornais é alvo de atentado

A ação ocorreu pouco depois das 21 horas da quarta-feira, 21; artefato de uso militar não chegou a explodir

Tatiana Fávaro, de O Estado de S. Paulo ,

22 Janeiro 2009 | 20h36

O prédio da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), na Vila Industrial, em Campinas, foi alvo de um atentado na noite da quarta-feira, 21. A RAC é responsável pela publicação dos jornais Correio Popular, Diário do Povo, Notícia Já, Gazeta do Cambuí, Gazeta de Piracicaba, Gazeta de Ribeirão, revista Metrópole e proprietária da Agência Anhanguera de Notícias (AAN), do portal Cosmo On Line e da gráfica e bureau GrafCorp.   Veja também: Rede Anhanguera sofre atentado com granada em Campinas   A ação ocorreu pouco depois das 21 horas. Três homens deixaram um Gol cinza na Avenida General Carneiro, próxima à sede do grupo, e se dirigiram à lateral do prédio, na Rua Roberto Thut. Um dos suspeitos quebrou o vidro de uma das janelas do andar térreo, pelo lado de fora, com uma marreta e tentou jogar uma granada dentro da sala, onde funciona parte da GrafCorp. O artefato não explodiu. Ninguém ficou ferido. Segundo informações da polícia, trata-se de uma granada de uso militar, com alto poder de destruição. A granada bateu contra uma grade de proteção localizada atrás do vidro da janela, que teria servido como escudo, e caiu próxima à sarjeta, na rua de paralelepípedos.   Granadas têm uma alça de segurança que é retirada e pinos que são destravados antes da explosão. Um dos pinos não destravou no momento em que a alça de segurança foi retirada, por isso o dispositivo não explodiu. Além das Polícias Civil e Militar, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) também esteve no local. O Gate fará a perícia da granada para verificar modelo e potência de destruição.   Uma câmera de segurança instalada perto da portaria registrou a ação dos três homens chegando perto da janela. Dois ficaram a poucos metros do suspeito que quebrou o vidro. As câmeras registraram quando o vidro foi estourado. Após lançar a granada, os três suspeitos saíram correndo em direção ao carro.   Um funcionário que se dirigia à sede da RAC cruzou com os suspeitos em disparada. O porteiro, avisado sobre os homens e alertado por funcionários que estavam no andar térreo sobre um barulho suspeito, chamou o supervisor de segurança, que constatou o vidro quebrado e a granada jogada na rua.   "A gente ouvia um barulhão, parecia que estavam derrubando a divisória da sala aqui do fundo. Mas durou segundos. Acho que a marreta devia bater na grade de ferro, porque a parede até estremeceu", disse uma repórter que trabalhava na sala vizinha à que foi atacada pelos suspeitos.   Dos 230 funcionários que trabalham diariamente no prédio, havia ao menos 100 no local. De acordo com o diretor editorial da RAC, Nelson Homem de Mello, além de contar com reforço das rondas da Polícia Militar e da Guarda Municipal pelo bairro, a empresa tomou medidas internas de segurança para preservar seus funcionários.   A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) comanda as investigações. O delegado seccional, Paulo Tucci, informou que ao menos quatro testemunhas foram ouvidas ontem. "Temos algumas informações sobre possíveis autores, mas ainda são frágeis", disse. A polícia também vai trabalhar com as imagens da câmera de segurança. "Há uma possibilidade de compararmos a imagem dos homens que aparecem no vídeo com quem já tem ficha, mas o material está com qualidade baixa. Apostamos muito nas investigações de campo", afirmou Tucci.   Andinho   Na quarta-feira, 21, os jornais da RAC publicaram reportagem sobre o casamento de Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, marcado para 6 de fevereiro na Penitenciária de Presidente Venceslau. Andinho foi condenado a mais de 400 anos de detenção e está preso desde 2002, acusado de chefiar um grupo de sequestradores. Ele também é suspeito de envolvimento na morte do prefeito de Campinas Toninho do PT, ocorrida em setembro de 2001. Andinho nega envolvimento no crime.   Entre as hipóteses para o atentado à RAC investigadas pela polícia está a de possível envolvimento de membros do crime organizado ou da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Cerca de uma hora após a ação dos suspeitos, na quarta-feira, uma telefonista atendeu a uma ligação na qual uma voz feminina disse: "Isso é só o começo".

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