Cris Faga/Estadão Conteúdo
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Secura não vista desde 2000 põe São Paulo em estado de atenção

Umidade do ar ficou abaixo dos 30% em todas as regiões da capital paulista; situação deve repetir-se até o fim do mês de julho

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2018 | 03h00

SÃO PAULO - A massa de ar seco garantiu uma tarde quente e ensolarada na cidade de São Paulo na terça-feira, 17. Com a pouca incidência de chuva, contudo, a umidade do ar ficou abaixo dos 30% em todas regiões, o que fez a Defesa Civil decretar “estado de atenção” às 12h51. A situação deve repetir-se nos próximos dias. Já são 32 dias sem registro oficial de chuva na capital, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia, no Mirante de Santana, na zona norte. Ao considerar precipitações relevantes, são 77 dias. E só há previsão de mudança no clima para o dia 31.

A soma das precipitações de maio e de junho foi de apenas 23,5 mm e ainda não houve registro de chuva no Mirante de Santana em julho. Há quase 20 anos não se tinha uma situação de tão pouca chuva assim neste período, como destaca a empresa Climatempo. A última vez que isto ocorreu foi em 2000. Dentre as estações monitoradas pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), o menor registro de umidade desta terça-feira, 17, foi de 20,9% no Campo Limpo. 

Umidade baixa causa problemas respiratórios

Com o tempo seco, aumenta a possibilidade de a população desenvolver doenças respiratórias e alergias, segundo a médica Atalanta Ruiz Silva, infectologista da Rede São Camilo. De acordo com ela, a umidade do ar ideal é em torno do 60%, enquanto, abaixo de 20%, já é considerado “muito alarmante”.

A Secretaria Municipal da Saúde estima que a demanda por atendimento aumenta cerca de 30% no inverno, sobretudo por causa do frio e do tempo seco. Na rede privada, o Hospital Nove de Julho já teve alta na demanda para casos de doenças respiratórias de 2.075, em março, para 3.454, em junho. 

Dentre as pessoas que procuraram atendimento no Hospital São Camilo, em Santana, na zona norte, estava o comerciante Carlos Alfredo Crociati, de 49 anos. Após ter o diagnóstico de pneumonia há 20 dias, ele permanecia com tosse. “Para falar, falta ar”, diz ele, que precisou fazer inalação com medicamentos para desobstruir as vias aéreas. 

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