Secretário vai ao MP atrás de Oscar Maroni

Dono do Bahamas fez BO de ameaça contra o secretário municipal Orlando Almeida

O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2012 | 03h17

O secretário municipal de Controle Urbano, Orlando Almeida, de 64 anos, chegou ontem à sede do Ministério Público Estadual, no centro de São Paulo, cinco minutos após a abertura ao público, por volta das 11 horas. Com uma pasta preta cheia de documentos debaixo do braço, fazia a funcionários, PMs e outras pessoas com quem esbarrava pela frente as mesmas perguntas: "Cadê o Maroni, aquele dono do Bahamas? Vocês o viram por aqui?" Enfurecido, subiu de escada até a Promotoria de Patrimônio Público, no sétimo andar. Seria ali que o empresário Oscar Maroni Filho, de 61 anos, deixaria documentos que incriminariam Almeida, um dos responsáveis pelo fechamento em 2007 da Boate Bahamas.

Espantados, policiais seguiram o secretário até o sétimo andar. Um dos soldados questionou se ele havia marcado hora para audiência. O trio de policiais só sossegou após Almeida, homem de confiança do prefeito Gilberto Kassab (PSD), apresentar o crachá de secretário. Almeida ficou na Promotoria até as 13 horas. Ligou então para o Estado. Um dia antes, ele havia dito que "quebraria a cara" do empresário. "Estou aqui esperando o Maroni. Ele não falou que luta boxe? Não dá para avisá-lo que estou aqui esperando ele?", perguntou à reportagem.

Àquela altura, Maroni registrava boletim de ocorrência de ameaça contra Orlando. "Não vou ao MP hoje, vou amanhã ou na segunda. Não gosto de briga de rua, sou um cara técnico. Quero lutar boxe com ele em um ringue inflável que vou montar no Viaduto do Chá."

Como Maroni não aparecia no MP, Almeida decidiu ir à Procuradoria-Geral do Município. Queria achar o parecer jurídico que Maroni acusa o secretário de ter descumprido para manter a boate fechada. Duas horas depois, com o processo do Bahamas em mãos, Almeida chamou seu carro oficial e voltou ao Ministério Público. Nervoso, ao abrir a porta do carro, derrubou um motoboy na calçada em frente ao MP. Eram 15h30. "Olha só: por causa de um cafetão sem família, imoral, acabei machucando uma pessoa inocente, um trabalhador... Tenho família, hombridade, caráter. Esse é meu patrimônio."

Com o processo em mãos, Almeida disse que era impossível conceder licença à boate - Maroni diz que lhe pediram R$ 170 mil de propina para reabrir a boate, que foi liberada anteontem pelo Tribunal de Justiça. O secretário esperou Maroni até as 18 horas. "Se ele falou que vai vir amanhã (hoje), não tem problema. Posso voltar." / D.Z.

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