Secretário reconhece falta de professores

Exigência de quarentena para temporários é o principal motivo. Segundo Estado, falha é pontual

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2014 | 02h15

O secretário estadual de Educação de São Paulo, Herman Voorwald, reconheceu ontem a falta de professores em algumas escolas nesta primeira semana de aulas. Reportagem do Estado revelou ontem que o principal motivo para a falta de docentes é que muitos temporários ainda não haviam voltado ao trabalho por serem obrigados a ficar em quarentena antes de firmar novo contrato.

Como o início das aulas foi adiantado para segunda-feira passada por causa da Copa do Mundo, houve desfalque em escolas espalhadas pelo Estado. A situação só deve se normalizar na semana que vem. A secretaria não informa quantas escolas foram afetadas. Em nota, defendeu que 280 professores permaneciam em quarentena nesta semana. A reportagem apurou problemas em escolas nas zonas sul, leste e norte da capital paulista e em pelo menos cinco cidades do interior.

Em entrevista à TV Globo, Voorwald disse: "Não tenho como não reconhecer (falta de professores)". O secretário negou erro de planejamento, mas falou em falha. "A solicitação da secretaria para as diretorias de ensino e para os diretores era de que o contrato do temporário fosse interrompido em 18 de dezembro, para que durante 40 dias houvesse a quarentena. Detectamos que os contratos de muitos deles não foram interrompidos, essa é a grande questão. Foi um problema de gestão na ponta."

A pasta apura por meio de uma comissão os motivos dessas falhas nas escolas em que o problema foi detectado. O Estado solicitou entrevista com o secretário, mas a assessoria de imprensa da secretaria informou que não seria possível por incompatibilidade de agenda.

A secretaria ressaltou, em nota, que o problema não é generalizado e que os casos identificados estão sendo solucionados com a convocação de eventuais, que somam 21 mil.

Temporários. Situações de alunos sem aulas surgiram no início da semana. Até quarta, a secretaria insistia que os casos eram pontuais.

No ano passado, havia 49 mil temporários da chamada categoria "O" - 21% da rede, segundo dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação. Docentes reclamam da precariedade dessa contratação, que não garante todos direitos do funcionalismo e prevê a quarentena.

Até março, devem assumir 20 mil novos professores concursados e outros 39 mil devem ser convocados no ano que vem. A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) realizou concursos para 34 mil novos professores desde 2011, mas o número de efetivos havia crescido só 1,5 mil até o ano passado no período, chegando a 120,8 mil. A pasta diz que tem hoje 260 mil professores.

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