Secretário reconhece falhas na educação de SP

Uma das justificativas de Alexandre Schneider é a demora para a administração fazer licitações

Fernanda Aranda, do JT, Agencia Estado

19 de junho de 2007 | 13h49

O secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, reconheceu as falhas "que ainda persistem" no sistema público do ensino paulista. As crises incluem a falta de 900 mil uniformes, 1,1 milhão de alunos sem leite, ausência de segurança escolar, colégios sem infra-estrutura, salas de lata e falta de vagas em creches. Sem contar que parte dos estudantes passa de ano sem ter lido um único livro.O secretário também classificou como "abusiva" a quantidade de recursos movidos pelo Tribunal de Contas do Município e das empresas que perdem as licitações. Para justificar o atraso de mais de dois meses na entrega dos 900 mil uniformes, Schneider argumentou que "não tem cabimento um processo licitatório durar mais de um ano". "Nós começamos a licitação em julho do ano passado. Mais planejamento do que isso é impossível", afirmou. "A lei permite que seja assim e é importante que a lei seja cumprida. Mas eu acho que está existindo um abuso (de recursos) aceitos contra poder público."Apesar dos problemas, o secretário garantiu que em 2008 não haverá mais atrasos de trajes estudantis. Reforçou que a Prefeitura conseguiu economizar R$ 40 milhões com o pregão e, com o preço está bom, o contrato vale por dois anos e impede entraves no ano que vem.Alexandre Schneider ressaltou os avanços conseguidos. Sobre as 24 salas de aula de lata que ainda restam explicou que estão em escolas que "praticamente" precisaram ser reconstruídas. Ele admitiu que a expectativa era pôr fim a esse tipo de construção no início de 2007, mas rebateu: "Se você pensar que é uma situação que perdura por 15 anos e nós resolvemos em dois, é muito bom, né?", disse, lembrando que em 2005 eram 192 salas de lata.Segundo o secretário, o índice de alunos que não sabem ler e escrever passou de 30% na 3ª série (estimados em 2005) para 15% este ano. O titular creditou os méritos da conquista aos professores das séries iniciais. "Um ganho conseguido graças ao emprenho dos educadores".Sobre as creches, consideradas ainda um "enorme desafio", Alexandre Schneider disse que sua secretaria criou mais vagas do que o previsto: só neste primeiro semestre foram abertas 10,5 mil. "Se esse ritmo continuar, é possível acabar com o déficit de 90 mil vagas nos próximos dois anos."A segurança privada nas escolas foi prometida para agosto deste ano. Outra garantia foi fazer manutenção nas 1.300 unidades existentes até novembro. Schneider disse ainda que esse procedimento será repetido todo ano. O que mais incomoda? "É o estado físico em que achamos a rede quando chegamos."

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