Secretário quer nome do pai de Kassab para rua

Iniciativa de Rubens Chammas provocou até abaixo-assinado contrário de moradores na Vila Mariana; procurado, prefeito desautorizou a iniciativa

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2012 | 02h04

No fim da gestão Gilberto Kassab (PSD), uma proposta irrita um grupo de moradores da Vila Mariana, na zona sul da capital. Uma iniciativa encampada pelo secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, Rubens Chammas, prevê renomear uma das ruas do bairro, a Mairinque, para Pedro Kassab, pai do prefeito, morto em 2009.

A iniciativa foi apresentada pelo dirigente a moradores de um dos dois únicos prédios residenciais da via, o Maison Pasteur, no início deste mês. O edifício fica na frente do tradicional Colégio Liceu Pasteur, onde o médico dermatologista Pedro Salomão José Kassab trabalhou por mais de 50 anos como diretor-geral.

Chammas levou ao condomínio um documento com o intuito de coletar assinaturas de eventuais interessados na homenagem. Até a semana passada, o papel ainda era mantido à disposição dos condôminos na portaria.

Apesar de a administração do prédio ter soltado um comunicado interno sobre a presença do abaixo-assinado, somente uma pessoa havia aderido à causa até quinta-feira. O prédio, de 18 pavimentos, tem quatro apartamentos por andar, exceto na cobertura, onde existem dois.

Para que a proposta de mudança vire um projeto de lei na Câmara Municipal, ao menos dois terços dos moradores da rua inteira precisam avalizá-la, tornando-se signatários do documento. Como a Rua Mairinque tem cerca de 300 metros relativamente poucas residências, o peso proporcional do Maison Pasteur é grande. O outro prédio da via não foi visitado por Chammas.

O secretário, que foi colega do prefeito em seus tempos de aluno no Liceu Pasteur, alega que vereadores já haviam sugerido a alteração. "Mas o prefeito rechaçou, porque achou que não era o momento." O prefeito informou, por Assessoria de Imprensa, que desautorizou a proposta, argumentando que a mudança não cairia bem se ocorresse na sua gestão. No entanto, Chammas já havia decidido procurar o edifício para propor a troca.

Grande parte dos condôminos rechaçou a iniciativa. "E as correspondências? O Correio vai se embananar", reclama o bancário aposentado Claudimir Antoniolli, de 67 anos. "Se querem homenagear, usem uma rua ainda sem nome."

Em sua defesa, Chammas afirma que não foi ao prédio se apresentando como representante do governo municipal. "É claro que os moradores sabem o cargo que ocupo, mas fui só como conhecido de moradores do prédio e conhecedor do Liceu Pasteur."

Reação. Com outros moradores, Antoniolli elaborou um abaixo-assinado contrário. Ele diz que o documento, com 12 signatários, foi protocolado na sexta-feira na Subprefeitura de Vila Mariana. O médico Paulo Takayama Junior, de 48 anos, assinou o documento com a mulher. Para ele, a mudança de nome seria "de fundo objetivamente eleitoreiro". "Pedro Kassab foi um dos diretores do colégio. E os outros? Não tentaram mudar o nome da rua por eles."

O morador lembra que a atual denominação homenageia uma figura histórica. A via foi batizada em memória do conselheiro Francisco de Paula Mayrink, morto em 1907, que presidiu a Estrada de Ferro Sorocabana.

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