Secretário quer mandar PMs corruptos para penitenciárias comuns

Antonio Ferreira Pinto disse que não há motivo para que PMs cumpram pena de forma 'mais amena'

William Cardoso, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2012 | 22h01

SÃO PAULO - O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, disse nesta terça-feira, 24, que pretende mandar policiais militares pegos colaborando com o crime cumprir penas em penitenciárias comuns, e não no Presídio Militar Romão Gomes. A afirmação foi feita após a posse do novo comandante geral da Polícia Militar, Roberval Ferreira França, de 49 anos, na Academia do Barro Branco, na zona norte da capital.

"Aquele que passa para o outro lado, que trai um compromisso, que desonra um juramento, tem que ter a convicção de que, assim que for punido, vai para a vala comum do sistema prisional. Não pode ter o privilégio de ficar no presídio militar."

Ferreira Pinto disse que pretende implantar na PM a mesma "via rápida" já existente na Polícia Civil para acelerar o andamento das demissões de policiais corruptos. "O processo de depuração interna passa a ser agora uma das minhas prioridades maiores, diante do caos que a gente vê, com vários policiais militares envolvidos (com o crime)".

Segundo o secretário, não há motivo para que PMs corruptos cumpram pena de forma "mais amena e até privilegiada". "(Hoje) O comparsa dele vai para o sistema penitenciário, e ele vai cumprir no alojamento, e não na grade."

O secretário negou que mandar um PM para o presídio comum seja condená-lo à morte. "Fui secretário de Administração Penitenciária durante três anos e temos lá vários ex-policiais, até do esquadrão da morte. Não tenho a notícia de um que tenha perdido a vida em razão da origem dele."

Presos. Durante a onda de furtos a caixas eletrônicos em 2011, 20 PMs foram presos por colaborar com as quadrilhas. Até a semana passada, apenas dez permaneciam detidos, dois deles no Penitenciária de Tremembé, e não no Romão Gomes.

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