Alex Silva/AE
Alex Silva/AE

Secretário põe homem de confiança na Rota

Ferreira Pinto alega que saída de Madia foi ‘de rotina’; outros 76 coronéis foram trocados

Bruno Paes Manso e Marcelo Godoy - O Estado de S. Paulo,

27 de setembro de 2012 | 00h30

SÃO PAULO - O governo decidiu mudar o comando das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) no mesmo dia em que anunciou a realização da maior operação policial de combate e prevenção à criminalidade feita no Estado durante o governo de Geraldo Alckmin (PSDB). Ao todo, mais 25 mil policiais, além do efetivo normal, estarão nas ruas do Estado - 8 mil somente na capital.

Para assumir o comando da Rota, o governo escolheu o tenente-coronel Nivaldo César Restivo. Trata-se de homem de confiança do secretário Antonio Ferreira Pinto, titular da pasta da Segurança Pública. Nivaldo, como é conhecido, substituirá o tenente-coronel Salvador Modesto Madia.

Madia foi a mais polêmica nomeação de Ferreira Pinto desde que assumiu a pasta, em 2009 - mais até do que Paulo Adriano Telhada, que tem 35 mortes em sua ficha. Isso porque pela primeira vez um réu no processo do massacre de 111 presos do pavilhão 9 da Casa de Detenção, ocorrido em 1992, assumia o comando da Rota. E Madia não era um réu qualquer: fazia parte do pequeno grupo acusado por 73 das 111 mortes ocorridas no presídio. Sob seu comando, a Rota prosseguiu como um dos principais instrumentos de combate ao crime organizado no Estado, como já ocorria desde 2009. Mas foi também nesse período que, pela primeira vez na história, uma equipe da Rota foi presa em flagrante sob acusação de executar um preso durante uma ocorrência policial. "Sempre atuei dentro da legalidade", afirmou Madia no dia da prisão.

O governo decidiu transferi-lo para o 4.º Batalhão de Choque - responsável por outras unidades de elite da PM, como o Comando de Operações Especiais (COE) e o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) - no mesmo dia em que mudou de função outros 76 tenentes-coronéis. Alguns oficiais disseram, contudo, que a mudança já pode fazer parte de um plano do atual Comando-Geral de valorizar os cargos operacionais, que administram as tropas nas ruas.

Três vezes por ano, por promoções, a PM sofre grandes alterações no comando. Coronéis ouvidos pelo Estado disseram que grande parte dessa movimentação é normal. "O que pode não ser normal é a mudança na Rota", disse um deles.

O secretário Ferreira Pinto afirmou que a saída de Madia da Rota é "um ato de rotina". "Ele vai comandar uma tropa prestigiada." E negou que a mudança tenha relação com recentes ocorrências, como a morte de nove acusados de pertencer ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em Várzea Paulista, no dia 11, ou com problemas internos.

Na rua. Ferreira Pinto anunciou, no começo da noite de ontem, a decisão do governo de pôr toda a tropa na rua. "Até o pessoal que trabalha comigo no gabinete vai participar da operação", disse. O mesmo deve acontecer com os homens da Casa Militar e das assessorias militares de tribunais e da Assembleia, além do pessoal que trabalha nas diretorias administrativas. Quatro helicópteros estarão no ar. "A partir de agora, vamos fazer essas operações sempre que possível", disse o secretário.

Criminalidade. Ferreira Pinto ressaltou que a operação estava sendo planejada havia 15 dias e negou qualquer relação com a divulgação de dados sobre a violência no Estado, ocorrida anteontem - com crescimento de 15,2% dos homicídios na capital e de 6% no Estado nos oito primeiros meses do ano, em relação ao mesmo período de 2011. A ação da PM deve ir das 14 horas à meia-noite.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.