Secretário Nacional de Segurança critica polícia no caso Eloá

Balestreri afirma que 'houve erros flagrantes' no caso e que Nayara não poderia ter voltado ao local

Luciano Coelho, especial para o Estado de S. Paulo,

20 de outubro de 2008 | 15h56

A maneira como a polícia conduziu as negociações com Lindemberg Alves, de 22 anos - que manteve Eloá Cristina Pimentel e Nayara Rodrigues da Silva, de 15 anos em um apartamento de Santo André - é criticada por Ricardo Balestreri, secretário Nacional de Segurança Pública. "É preciso aprofundar as técnicas para atuação de seqüestro. Esse caso é um exemplo para que a polícia brasileira faça uma revisão na maneira que realiza suas operações e passe a capacitar melhor seus agentes, sobretudo, em casos de negociações que envolvam reféns", declarou nesta segunda-feira, 20, durante visita ao Estado do Piauí.  Veja também:Corpo de Eloá chega ao cemitério de Santo AndréMenina de 18 anos recebe o pulmão de EloáCoração de Eloá é doado a mulher de 39 anosLindemberg teme ser morto na cadeia e advogada fará a defesaNayara recebe a notícia da morte de Eloá e terá alta na quartaLaudo vai apontar quem é o autor do disparo que matou Eloá Saiba como foi o fim do seqüestro  Confira cronologia do seqüestro  Galeria com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso  Imagens da negociação com Lindemberg Alves I   Imagens da negociação com Lindemberg Alves II   Eloá, 'uma menina falante'; Lindemberg, 'um trabalhador'  Seqüestro em Santo André é o mais longo registrado em SP  Segundo ele, "houve erros flagrantes. A reintrodução de uma das vítimas no local de seqüestro, que pelo padrão internacional de polícia é inadmissível. Tivemos uma tentativa de invasão que demorou alguns segundos e que ela deveria ter sido múltipla. No mínimo ter alguém entrando pela janela. Pelas cenas que tivemos nos vídeos, tivemos dificuldade de imobilização do criminoso e há técnicas internacionais de ter a três a quatro policiais se mobilizando imediatamente", destacou o secretário. Ricardo Blestreri estava no Piauí a convite do Secretário Estadual de Segurança Pública, o delegado federal Robert Rios Magalhães, para inauguração de uma Central Única de Flagrantes. Durante a visita às dependências da Secretaria de Segurança, Ricardo Balestreri falou sobre o desfecho do seqüestro de Eloá em Santo André. O Secretário afirmou que houve erros graves na negociação das vítimas que acabaram levando à morte da estudante Eloá Cristina Pimentel. Ele afirmou que houve momento de muito estresse, mas esta ação ensina que é preciso melhorar as técnicas, principalmente, contra seqüestro. "Depois de 100 horas todo mundo está estressado", frisou o Secretário. "A gente percebe que esse tipo de evento está mal coberto no Brasil do ponto de vista técnico. O episódio é dramático, mas nos alerta para que no futuro outras possibilidades iguais sejam trabalhadas de forma diferente", argumentou Ricardo Balestreri. Ele considera que houve excesso de entusiasmo na negociação e, por isso, passaram dos limites.

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