Secretário fala em ‘desaceleração’ da alta dos roubos no Estado

Grella disse que índice tem recuado nos últimos meses e alegou que delegacia eletrônica elevou notificação de registros do crime

Bruno Ribeiro e Juliana Ravelli, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2014 | 21h48

SÃO PAULO - O secretário estadual da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, considera positiva a “desaceleração” no crescimento do número de roubos no Estado. “A tendência de desaceleração verificada em 2014 permanece. Os roubos em agosto cresceram 11,7%. É um porcentual menor do que os 12,6% de julho e menor do que o índice de junho, que foi de 15%”, afirmou. 

“Se você pegar a série histórica, verá que (o Estado de) São Paulo já teve um surto de roubo a bancos, um surto de sequestros e um surto de homicídios. Agora, são os roubos, que estamos enfrentando”, disse o secretário nesta quinta-feira, 25, em coletiva de imprensa.

Grella afirmou que as causas do surto são “diversas” e destacou operações conduzidas principalmente pela Polícia Militar para combater os delitos. “Isso decorre de várias causas e não é um problema local, é um problema nacional”, disse.

Ainda comentando a explosão dos casos de roubos nas estatísticas da criminalidade, o secretário voltou a relacionar os índices a uma suposta queda da subnotificação, quando a vítima deixa de registrar o delito. Há ao menos três meses, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) tem relacionado a elevação do registro de roubos ao crescimento das notificações feitas pela internet. 

“Eu queria lembrar que reduzimos a subnotificação pela delegacia eletrônica”, disse Grella, afirmando que 40% dos casos atualmente são registrados pela internet. 

Carros. Durante a coletiva de imprensa realizada na sede da SSP, no centro da capital, em que respondeu perguntas sobre os índices de criminalidade, o secretário destacou a queda no número de roubos de carros. “É o terceiro mês de queda”, afirmou. 

Ele relacionou o fato à nova lei dos desmanches de São Paulo. “De julho para cá, 261 desmanches foram fechados. Essa lei é uma das principais medidas que tomamos e representa um forte golpe na economia do crime”, disse o secretário. A queda nos roubos de veículos foi de 10,9%, (3.744 ocorrências contra 4.257 em 2013).

Somando os casos de roubos e furtos, entretanto, observa-se que, no Estado de São Paulo, 8.281 veículos foram levados de seus donos por criminosos no mês passado. O índice é 3,9% menor do que os 8.618 casos registrados no mês de agosto do ano passado.

Homicídios. Já ao falar do dado positivo - nova redução do número de assassinatos ocorridos no Estado, Grella disse que “é o menor número de homicídios para um mês de agosto desde o início da série histórica, que começou em 2001. É uma queda que tem de ser avaliada à luz de 2013, que já havia tido os menores registros da série”. 

Ao comentar os dados apenas da capital - que teve o segundo mês seguido em que há mais mortes do que no mês equivalente do ano anterior -, Grella preferiu destacar que, “mesmo com o aumento, os 84 homicídios ocorridos aqui na capital em agosto, ficam em segundo lugar na série histórica de agosto. Ele só fica atrás de agosto do ano passado, que teve o menor registro de casos, com 79 ocorrências”, afirmou. “Em qualquer mês de agosto dos anos anteriores, esse número seria uma diminuição”, argumentou o secretário.

Batalha ganha. Ao ser questionado sobre o fato de que, em julho, o número de homicídios também tinha crescido, o secretário Grella afirmou não ver nos dados o indicativo de uma tendência de que esse tipo de crime possa estar voltando a crescer. “Não há tendência de crescimento. Estamos ganhando essa batalha. Só em agosto do ano passado é que teve uma queda histórica. Na capital, no acumulado (deste ano), tivemos queda.” 

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