Secretário diz que SP dificilmente terá 100% de ônibus com energia renovável até 2018

Prefeitura estuda incluir na nova licitação incentivos para que empresas invistam na compra de veículos movidos à bateria

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

16 Abril 2015 | 19h20

SÃO PAULO - O secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, admitiu que dificilmente a cidade terá 100% de sua frota de ônibus com fonte de energia renovável até 2018, conforme determina a Lei de Mudanças Climáticas de São Paulo. Para contornar o atraso, a Prefeitura estuda incluir na nova licitação do transporte público incentivos para que empresas de ônibus invistam na compra de veículos movidos à bateria.

Questionado se a Prefeitura cumpriria o prazo estabelecido pela lei municipal, sancionada na gestão Gilberto Kassab (PSD), Tatto respondeu: "Acho difícil (renovar 100% da frota), vai estar na licitação". O secretário disse, ainda, que "olha bastante animado" para a bateria como uma alternativa para trocar os ônibus "de forma mais rápida". As declarações foram feitas durante a reunião do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT), na manhã desta quinta-feira, 16.

Segundo afirma o secretário, a administração municipal teve dificuldade para encontrar fontes limpas de energia que fossem produzidas em escala suficiente para atender os cerca de 15 mil ônibus da rede paulistana. "E a bateria, pelo que eu estou vendo e tenho conversado, pode ser que tenha em larga escala, até com produção aqui no Brasil", afirmou. Uma equipe da São Paulo Transporte (SPTrans) viajou para os Estados Unidos para colher informações de uma empresa de transporte que faz uso dessa tecnologia. 

Jilmar Tatto, no entanto, não informou qual é a previsão da Prefeitura para renovar a frota.  "Na hora que perceber que há produção em escala e o valor não tem grande impacto no orçamento, nós criamos um cronograma para troca desses veículos", disse. Caso a bateria seja a alternativa escolhida pela Prefeitura, as empresas seriam remuneradas para comprar novos veículos. Os incentivos devem ser definidos na nova licitação. 

"Nós vamos colocar isso (a renovação) como um item que precisa ser cumprido, porque não podemos ser contra lei", afirmou. O secretário também anunciou que o edital, atrasado há quase dois anos, ficará disponível para consulta pública em maio. "O projeto está bastante avançado, em fase de ajustes", disse.

Calçadas. Na próxima semana, o prefeito Fernando Haddad (PT) vai anunciar o plano para construção e reforma de calçadas na cidade de São Paulo. "Vão anunciar três frentes importantes, que é a Operação Tapa-Buracos, obras no centro da cidade com recursos do Ministério do Turismo e calçadas novas, priorizando a periferia da cidade, onde as pessoas precisam mais", afirmou Marianne Pinotti, secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida.

A informação foi divulgada durante a reunião do CMTT e encontrou resistência de alguns participantes da discussão. "Nós não fomos convidados a contribuir com esse plano, então desconhecemos quais são os critérios dele", afirmou Gilberto Frachetta, presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência. "A gente sabe que o investimento é pontual, não vai ser feito para toda cidade."

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