Secretário diz que PM 'não vai arredar pé da USP'

Delegado promete indiciar estudantes por dano ao patrimônio e desobediência à ordem judicial; à tarde, 3 alunos foram libertados

O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2011 | 03h07

A cúpula de Segurança do Estado aprovou a ação de tomada da Reitoria. "A polícia não vai arredar o pé da USP. Continua proibido fumar no câmpus, assim como em qualquer outro local", ressaltou o secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto.

Dos 73 detidos pela Tropa de Choque durante a retomada do prédio na Cidade Universitária, 70 continuavam presos dentro de três ônibus da Polícia Militar até o início da noite de ontem no 91.º Distrito Policial (Ceagesp), na zona oeste. Por ato de desacato, dez foram detidos fora da Reitoria. À tarde, três foram liberados, porque não teriam tido participação.

Enquanto isso, a cúpula da Segurança Pública do Estado se reunia na posse do novo comandante da Tropa de Choque de São Paulo, César Morelli. Ele aprovou a ação dos comandados. "A Tropa foi vencedora", ressaltou.

O comandante-geral da Polícia Militar, Álvaro Camilo, ressaltou que a PM seguirá no câmpus. "Vamos manter dois pelotões na Cidade Universitária até que volte tudo à normalidade. A polícia está lá para garantir a tranquilidade dos que querem estudar."

Já o secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, foi mais contundente e comemorou a ação. "Todos os estudantes foram conduzidos para a delegacia, sem que fosse necessário nenhum disparo, nenhuma agressão por parte da polícia." Ele negou qualquer tipo de "excesso" na abordagem. "Se houve ofensas de alguma parte, foi da parte dos estudantes."

De acordo com o delegado Dejair Rodrigues, eles seriam indiciados por dois crimes: dano ao patrimônio público (pena de 3 anos de reclusão) e desobediência à ordem judicial (pena de 1 ano).

A Polícia Civil, no entanto, estipulou fiança de R$ 545 (um salário mínimo) para cada um dos presos e já poderia liberar os estudantes ontem. O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) arrecadou R$ 35 mil para pagamento de fiança.

Só em juízo. Até as 21h de ontem, 13 estudantes ainda eram ouvidos no DP. Segundo a Polícia Civil, todos disseram que só falariam em juízo e não quiseram responder a um questionário padrão que foi oferecido pelos policiais.

Pai da estudante de Letras Ana Maria Horiuchi, de 23 anos, o engenheiro Armando Kazuo, de 54, disse que a filha não relatou maus-tratos da polícia. "Ela está tranquila, pôde sair, lanchar e conversar comigo", disse Kazuo, que contratou advogado particular e pagou fiança na delegacia para liberar a menina. "Ela me disse que estava apenas passando lá para ver amigos. Mas ninguém deve ter tratamento VIP." /MARCELO GODOY, CARLOS LORDELO, FELIPE FRAZÃO, FELIPE TAU e CAMILLA HADDAD

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