J.F. Diorio/Estadão
J.F. Diorio/Estadão

Secretário diz que foi desnecessário uso de bomba no metrô

Chefe da pasta de Segurança Pública do Estado de SP, Alexandre Moraes reprovou a ação de policiais militares na terça-feira

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

30 Janeiro 2015 | 13h34

Atualizada às 21h05

SÃO PAULO - O secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, considerou nesta sexta-feira, 30, desnecessário o uso de bombas de gás lacrimogêneo pela Polícia Militar dentro da Estação Faria Lima do Metrô, da Linha 4-Amarela, durante a manifestação contra o aumento da tarifa do transporte público, na terça-feira.

“A regra permite excepcionalmente a utilização (de bombas de gás dentro de estações). Vamos pedir para o comandante apurar, porque eu também vi o vídeo e não achei necessário o lançamento de bombas de gás no metrô. Mas eu não estava lá, vi pelos vídeos que estão sendo mostrados.” 

Segundo Moraes, o confronto seria menor se a concessionária tivesse liberado as catracas. “A PM solicitou para a concessionária, naquele momento, liberar as catracas para evitar o tumulto.” Procurada, a ViaQuatro não quis comentar a fala do secretário.

Moraes afirmou ainda que a Corregedoria da PM está avaliando os casos de dois repórteres do Estado, Edgar Maciel e Fernando Otto, que foram atingidos por balas de borracha disparadas por policiais enquanto realizavam a cobertura das manifestações.  

O PM que efetuou o disparo contra Otto já foi identificado, de acordo com Moraes. “Aparentemente, houve abuso. Se confirmado, haverá punição.” O secretário negou, no entanto, que a Polícia Militar esteja atuando com truculência nos atos. “Nas outras manifestações claramente houve necessidade de reação.”

Violência. No quinto protesto contra o aumento da passagem, na terça-feira, houve tumulto dentro da Estação Faria Lima do Metrô, com bombas de gás e pessoas desmaiadas. Parte dos manifestantes pretendia fazer um “catracaço” e negociava com seguranças da ViaQuatro, concessionária responsável pela Linha 4-Amarela, quando a Tropa de Choque começou a descer as escadas. Houve princípio de tumulto e um manifestante arremessou uma pedra em um funcionário do Metrô. A PM reagiu, lançando ao menos seis bombas de gás lacrimogêneo em dois minutos. A estação estava lotada. Houve correria e muita gente passou mal. 

O repórter da TV Estadão Fernando Otto foi atingido por uma bala de borracha lançada pela PM na saída da estação enquanto filmava a ação de black blocs que quebravam os vidros. A bala atingiu o celular que estava em seu bolso, destruindo o equipamento. O profissional não ficou ferido. 

No ato anterior, no centro da capital, pelo menos duas pessoas que acompanhavam a marcha ficaram feridas, incluindo o repórter do Estado Edgar Maciel. Ele foi atingido na perna por uma bala de borracha. 

Mortes por PMs. Moraes também falou sobre o relatório da Human Rights Watch, que mostrou que o número de mortes em conflito com PMs dobrou no Estado entre 2013 e 2014 - foram 728 pessoas mortas no ano passado, ante 369 casos em 2013, aumento de 97%. 

“Isso demonstra que há hoje um conflito maior nas ocorrências. Tivemos isso demonstrado nesta semana, quando a polícia chegou em uma ocorrência de furto a um caixa eletrônico e foi recebida por tiros de fuzis. Vamos tratar disso colocando mais policiamento na rua. Isso tende a evitar mais conflitos. Ao mesmo tempo, qualquer desvio da atividade policial será duramente apenado.”

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