Secretário diz que ação policial na Cracolândia fortalece programas sociais

Fernando Grella Vieira nega uso de balas de borracha e diz que Denarc vai continuar agindo para combater o tráfico na região central de SP

Bruno Ribeiro e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2014 | 15h56

SÃO PAULO - O secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, disse nesta sexta-feira, 24, que a ação do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) na Cracolândia, no Centro de São Paulo, "fortalece" programas para recuperação de usuários de drogas, como o implantado pela Prefeitura de São Paulo, e negou tenha havido abuso e uso de balas de borracha por policiais civis na ação de ontem.   

"A ação da polícia, de identificar e prender traficantes, vem exatamente com o propósito de fortalecer os pragamas das áreas social e de saúde da Prefeitura e do próprio governo do Estado, porque os dependentes, os viciados, são reféns dos traficantes", afirmou o secretário. "Então, quando combatemos o tráfico, estamos fortalecendo esses programas, para eles possam ter bom êxito", completou.

Ontem, o prefeito Fernando Haddad (PT) classificou a ação da Polícia Civil na Cracolândia como "lamentável" e prejudicial ao programa de recuperação de dependentes químicos implantado pela sua gestão há uma semana, que dá dinheiro para que eles trabalhem, se alimentem e residem na região. "Não quero comentar nenhuma declaração, mas lamentável é a situação dos usuários de drogas que estão lá", afirmou o secretário.

Ele disse que o que ocorreu ontem à tarde na Cracolândia foi mais uma ação rotineira do Denarc para prender traficantes que atuam na região. Segundo o departamento, 69 traficantes foram presos desde 1º de dezembro do ano passado, incluindo os quatro detidos na quinta-feira.      

"Pelos relatos que tive, pelas imagens que vi, foi mais uma ação policial rotineira que teve um episódio de reação. Portanto ela se mostrou diferente das outras 60 ações que foram feitas pelo Denarc desde 1º de dezembro. O Denarc vai continuar atuando em busca de traficantes ali na região", afirmou o secretário. 

Balas. Vieira também negou que os policiais civis tenham usado balas de borracha contra usuários de drogas na Cracolândia na ação de ontem. Segundo ele, "não cabe à secretaria dizer que tipo de arma deve ser usada em uma operação", mas enfatizou que não houve emprego de bala de borracha. "Aliás, o Denarc nem tinha disponibilidade desse material. Há mais de dois anos que não possuem esse material", afirmou Vieira.

Questionado sobre os ferimentos em duas vítimas do confronto entre policiais civis e usuários de drogas, o secretário descarta que eles tenham sido provocados por balas de borracha, que são usadas pela Polícia Militar para conter tumultos.  "A informação que eu tive é que isso (os ferimentos) possa ser estilhaço das bombas de efeito moral, e não emprego de balas de borracha. Eu tenho isso afirmado pela diretora do Denarc", afirmou.

Policiais suspeitos. O secretário afirmou ainda que tem notícia do susposto envolvimento de policiais civis no tráfico de drogas na Cracolândia e que pediu agilidade na investigação por parte da Corregedoria da Polícia Civil. "É um fato que reputamos muito grave. Há uma investigação em andamento e nós pedimos agilização desse trabalho para que a gente tenha a conclusão o quanto antes", afirmou.

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