Secretário de Haddad nega participação em esquema do teatro

Secretário de Haddad nega participação em esquema do teatro

Vereadores falam em improbidade administrativa; titular da Comunicação, Nunzio Briguglio diz que réus estão 'desesperados'

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2016 | 14h28

SÃO PAULO - Em depoimento aos vereadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades na gestão do Teatro Municipal entre 2013 e 2015, o secretário municipal de Comunicação, Nunzio Briguglio Filho, voltou a negar na manhã desta quarta-feira, 6, qualquer participação no esquema que desviou R$ 15 milhões dos cofres públicos. As declarações, no entanto, não convenceram os parlamentares, que decidiram representá-lo ao Ministério Público por improbidade administrativa. 

A representação pede à Promotoria que investigue a participação de Briguglio no pagamento de serviços nunca realizados. Para os vereadores, documentos reunidos pela CPI comprovam que o secretário articulou a contratação de ao menos dois serviços nunca apresentados: espetáculos produzidos por uma empresa espanhola para o teatro, sobre a obra de Villa Lobos, e a veiculação de filmes institucionais do teatro na mídia. 

Durante a reunião da comissão, o vereador Ricardo Nunes (PMDB) apresentou uma carta assinada por Briguglio enviada por ele ao produtor Valentín Proczynski, presidente da Old and New Montecarlo, na qual ele afirma interesse no negócio e chega a indicar valores a serem pagos pelo teatro antes mesmo da concretização do acordo. Os valores partiriam de 150 mil euros.

Segundo a comissão, o serviço foi depois contratado por 1 milhão de euros, mas os espetáculos nunca fora apresentados. 

No segundo caso, os parlamentares acusam Briguglio de intermediar a contratação de uma produtora de cinema, por R$ 500 mil, para produzir filmes institucionais que nunca foram veiculados. 

Durante a CPI, o secretário reconheceu que enviou a carta à empresa espanhola, mas disse que o fez com a intenção de divulgar a cidade no exterior. Ele negou que tenha determinado a contratação ou qualquer tipo de pagamento. No segundo caso, Briguglio também se declarou inocente.

Réu. O nome do secretário, o mais próximo do prefeito Fernando Haddad (PT), foi citado pelo ex diretor do teatro, José Luiz Herência, réu confesso, que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público

Na saída da CPI, o secretário afirmou que os réus estão desesperados, com o pé na cadeia, e que por isso querem levar outros nomes com eles - além de Herência, William Nacked, diretor do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, também teria desviado recursos. 

"Os dois são acusados do desvio de mais de R$ 15 milhões, práticas das mais escabrosas possíveis. Estão em desespero, e como todos sabem que sou muito próximo do prefeito e do maestro John Neschling, foi uma forma de criarem um tumulto", afirmou. "Mas, na administração Fernando Haddad, todos aqueles que cometeram falhas foram afastados e processados. Não é o meu caso."

Em nota, a Secretaria Municipal de Comunicação afirmou que o secretário Nunzio, em seu depoimento, recorrentemente esclareceu que não teve nenhuma influência na produção dos vídeos da Fundação Theatro Municipal. Confirmou ainda que os vídeos foram produzidos, aprovados e entregues e estão sob a guarda do interventor do órgão, Paulo Dallari. Disse ainda que esses vídeos podem ser veiculados em qualquer tempo, sem qualquer problema de atemporalidade, sem implicar em qualquer novo gasto público.

Com relação a Old and New Monte Carlo, a pasta ressaltou que o  secretário deixou bem claro o limite de sua atuação. Disse entender tratar-se de um projeto de repercussão midiática internacional, que nunca lhe foi entregue. "Consequentemente não houve qualquer pagamento ou empenho de verba." 

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